Comando técnico sem técnica

Há quem pense que a única disputa entre seleções que acontece este ano é a Copa América. Entretanto, a seleção canarinha entrará em campo em torneio mundial: começa nesta sexta (7) a Copa do Mundo de Futebol Feminino. Sediada na França, com transmissão ao vivo em rede nacional pela primeira vez, as meninas do Brasil começam esse desafio no domingo (9), diante da Jamaica.

Não é novidade que os obstáculos enfrentados pelas mulheres vão além das quatro linhas, no entanto, o que preocupa dessa vez é o futebol que as brasileiras apresentam – ou melhor, não apresentam. A equipe comandada por Vadão tem um retrospecto pra lá de negativo: são nove derrotas consecutivas, tendo vencido pela última vez em julho de 2018.

O questionamento que fica é: por que o fraco técnico permanece no comando canarinho?Para facilitar a visualização, façamos uma simples comparação: se esse mesmo cenário ocorresse no time masculino, manteria-se um treinador que não sabe o que é vencer há quase um ano e soma nove derrotas seguidas às vésperas de uma Copa? Sabemos a resposta para essa questão, cabe, então, colocar em xeque os fatores que respondem a outra pergunta: por que a CBF não demitiu Vadão?

Muita gente pode argumentar que a permanência do comandante foi justificável pois restava pouco tempo para o Mundial, porém, em contrapartida, há um ano o Brasil já não apresentava futebol tático e conciso, que dirá empolgante. Logo, uma sequência de números, resultados e desempenho vexatórios durante tanto tempo não deveriam ser motivos de sobra para a demissão? O fato das jogadoras apresentarem um rendimento melhor nos clubes evidencia ainda mais essa situação. Afinal, não seria a principal função de um técnico extrair o melhor do seu elenco? Parece que para a CBF não funciona bem assim, pelo menos não com as meninas. O descaso da entidade é nítido e a falta de pressão por parte da mídia também é outro fator atenuante.

Agora, resta torcer para que as brasileiras façam boa campanha na Copa, lembrando que as críticas existirão na mesma proporção que a torcida para que as meninas joguem como nunca, literalmente.

Marina Borges
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