Jair Bolsonaro (PSL) governa com base no conflito. Sua relação com o Congresso, o Senado, a imprensa e também com seus ministros é fundamentada na “guerra”. O presidente tem imensa dificuldade em estabelecer diálogo com os poderes, alicerçando suas “conexões” por meio de sucessivos embates e troca de farpas. A relação dá o tom da visão autoritária que o chefe de Estado tem da vida e compromete os resultados do Executivo.
Seu trato com os veículos de comunicação é raivoso e cético. O presidente utiliza-se da internet para se comunicar e mobilizar seus seguidores. Tanto em lives quanto em tweets, ele procura criar uma relação de cumplicidade e fidelidade com os eleitores, baseando-se no discurso de que nestes canais é que está a verdade sobre os fatos, e não na mídia tradicional.
Ao desmerecer a atuação da imprensa e tratar notícias negativas para seu governo como fake news, Bolsonaro cria entre seu séquito o sentimento de que os jornalistas são “esquerdistas”, não apoiam o novo governo pois “acabou a mamata” e as verbas publicitárias foram cortadas. Demonizando a atuação da mídia ele interfere diretamente na confiança da população sobre os veículos de comunicação.
Ainda assim, semanalmente, o presidente mantém um café da manhã no Palácio do Planalto com os jornalistas dos principais veículos do país. A estratégia não é muito complexa: fazer com que seu eleitorado tenha apenas uma fonte de informação – o próprio governo -, porém mantendo a imprensa próxima. Se o presidente recebe a imprensa, abrindo as portas do Planalto, os jornalistas o criticam por que “não amam o nosso Brasil (sic)”. Simples assim.
Entre brigas e pacificações, o governo ainda enfrenta impasses em suas pautas mais importantes, como a da Reforma da Previdência. Enquanto a energia for destinada a pancadaria verbal, nada sai do lugar.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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