Você Não Sabia?!?!

Aquelas palavras congelaram meus movimentos por um instante. Fiquei de olhos arregalados travando uma luta interna para permanecer em silêncio. O garfo que estava a meio caminho para minha boca começou a descer lentamente, retornando ao prato. Olhei para o menino – devia ter uns sete ou oito anos – e tive vontade de salvá-lo. Contradizer a mãe que tinha acabado de lhe repreender: “Deixa de ser curioso. Curiosidade mata, viu?”. “Nããããão. Curiosidade dá vida. Curiosidade é vida. Curiosidade move, cria e amplia.” Não sei se fiz bem mas o meu contra ataque em defesa do garoto ficou guardado. Receio de criar confusão, talvez. E olha que eu não sou muito prudente nesse quesito. Enfim, calei.
Ao longo da história a curiosidade já foi herói e vilã. Os gregos consideravam a vontade de entender, uma das grandes alavancas do significado da existência. A igreja medieval condenou-a como uma perda de tempo e um desrespeito a Deus. O Renascimento restituiu seu valor e propôs a visão científica a partir daí. Nos últimos séculos existiram os que a rotularam como frivolidade e os que a tiveram em alta conta. Faço parte desse segundo grupo. E acredito que a essência do ser humano é a busca por conhecer o desconhecido. Se assim não fosse, por que uma criança faria tantas perguntas sem ter a menor ideia de como usar as respostas?

E, atualmente, nesse mundo onde aprender é um grande diferencial, aqueles que têm um impulso interno em direção a descoberta são os têm maior chance de prosperar. Mas se por um lado as exigências contemporâneas são muitas, os recursos também. Nunca existiram tantas publicações, tantos livros, tantos blogs. E as formas também abundam: texto, vídeo, áudio. De um minuto a muitas horas. Basta procurar o seu caminho. Do seu jeito. No seu tempo. Se interesse, estale os dedos e as portas do conhecimento se abrirão. E na improbabilidade desse lastro não sustentar a sua prosperidade, ele certamente trará uma incrível sensação de liberdade, pois como disse Vladimir Nabokov: “Curiosidade é a insubordinação na sua mais pura forma”.

Yuri Trafane
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