Amor pelo balón

Olhando para os quatro principais times de São Paulo no início da temporada, o Santos aparecia como a quarta força. No segundo semestre de 2018, a equipe encaixou e quase conseguiu classificação para a Libertadores. Porém, na virada para 2019, o time perdeu Gabigol, Dodô e Bruno Henrique, além do técnico Cuca. Eram baixas grandes em um elenco que já era curto. Parecia ser um ano difícil para o alvinegro praiano. Esse cenário mudou com a chegada do técnico Jorge Sampaoli, portador do famoso DNA santista.

Observando as características do treinador argentino, chega-se a conclusão que ele era o cara ideal para assumir a equipe da baixada, que historicamente ficou conhecida por um futebol ofensivo e vistoso. Sampaoli trouxe esse estilo de jogo ao Santos em pouco mais de três meses de trabalho. Em 23 jogos na temporada, o time conquistou 13 vitórias, já balançou as redes 40 vezes e em apenas uma partida terminou com a porcentagem de posse de bola menor que o adversário. Obviamente que houve atuações ruins, como nas goleadas sofridas para Ituano e Botafogo no Campeonato Paulista. Mas na partida em que foi eliminada da competição pelo Corinthians, a equipe da baixada impôs seu ritmo e teve um excelente desempenho, finalizando 11 vezes a gol e tendo 75% de posse de bola. Ou seja, o resultado esperado não veio, mas a busca incessante pelo gol foi presente. Grande parte disso é mérito de Sampaoli.

Outro mérito do argentino é a melhora de performance de Jean Mota. No ano passado o meia era muito criticado, entrava e saía do time com frequência. Agora, em 2019, Jean é o artilheiro da equipe com dez gols e ficou fora de apenas dois jogos. Para se ter uma ideia da evolução, durante o ano de 2018 inteiro, ele tinha balançado as redes somente duas vezes. Jean Mota é uma das boas surpresas até o momento e tem funcionado bem no meio-campo formado por Sampaoli, que conta com Alison, Carlos Sánchez e Diego Pituca, que vive fase excelente.

Vê-se, portanto, que Jorge Sampaoli implementou seu estilo muito rapidamente, estilo esse que vai de encontro aos melhores momentos da história santista, seja com Neymar, Robinho ou Pelé. Obviamente que a qualidade do time atual não se compara com essas formações lendárias, mas a forma de jogo é semelhante. O DNA ofensivo do Santos mantém-se vivo com a direção do técnico argentino e seu ‘amor pelo balón’, expressão repetida pelo comandante aos seus jogadores.


Nickolas Santos
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