Qual foi a última vez que sua respiração pausou no rastro de um insigth durante um curso que você estava assistindo? Com que frequência você se pega rindo diante de uma metáfora inacreditavelmente elegante escondida numa narrativa? Você já sentiu um arrepio percorrer sua coluna ao resolver um problema matemático que lhe parecia inacessível? Sua boca já ficou aberta, acompanhando seus olhos arregalados por entender um conceito complexo com o qual se debatia há algum tempo?
Se você respondeu sim para algumas (ou todas) dessas perguntas, ou para questões semelhantes, é claro, não preciso lhe dizer mais nada. Continue aproveitando.
Se você tem poucas lembranças nesse sentido, pode estar perdendo um dos grandes prazeres da vida, que eu ousaria chamar de orgasmo intelectual. Deixando de lado os exageros do seu par carnal, arrisco dizer que frêmitos não são incomuns. Não acredita? A única forma de passar a questão a limpo é experimentando. E não adianta devorar um livro com espírito investigativo sedento por me provar equivocado. Nada vai acontecer. Só o exercício constante da curiosidade e a busca genuína pelo desenvolvimento vão afiar as papilas da sua alma até o surgimento de um (ou muitos) momentos aha!
Não sei se é um efeito colateral do sistema educacional tradicional ou um congênito e progressivo desinteresse pelo novo ativado pelo passar do tempo, mas o fato é que muitas pessoas acabam se esquecendo dos prazeres do aprender. Das delícias do descobrir.
E não digo “esquecendo” por acidente. Basta olhar as crianças para ver que todas carregam, em alguma medida, essa ânsia por entender algo que estava, antes, fora de sua compreensão.
E num mundo frenético, no qual os conhecimentos evaporam ao ritmo das novas descobertas e a capacidade de aprender faz a diferença, nos vemos diante da paradoxal possibilidade de um orgasmo útil. Quer melhor?

Yuri Trafane
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