É ano de Copa do Mundo, mas poucos sabem. Se por um lado o site da Copa América travou pelo excesso de usuários, por outro, a maioria dos brasileiros nem sequer sabe que as seleções femininas disputam a Copa do Mundo, na França, no mesmo mês do torneio sul-americano masculino, que acontecerá no Brasil.
A Copa do Mundo feminina teve início em 1991, mas até 2015 o torneio foi ignorado pelas emissoras de renome nacional. Na última edição, o SporTV e a TV Brasil transmitiram os jogos da seleção canarinha. A Band, que sempre valorizou a modalidade, não transmitiu os primeiros confrontos devido à sua programação.
Porém, um grande passo foi dado este ano: pela primeira vez na história a Globo transmitirá todos os jogos das brasileiras. A emissora de maior audiência no Brasil impulsionará grande visibilidade para as meninas. Esta é sem dúvidas uma grande conquista para a modalidade, mas devemos ressaltar que é um absurdo tal reconhecimento ter vindo somente após sete edições do torneio. O futebol feminino foi esquecido pela Globo durante 28 anos.
Historicamente, o meio esportivo sempre foi um grande reprodutor do machismo e continua sendo. Apesar das mulheres terem avançado no combate ao preconceito, ele ainda existe, principalmente no futebol.
Marta é um grande exemplo nacional de luta e força, a camisa dez deslegitima o estereótipo de sexo frágil que por tanto tempo acompanhou as mulheres. A brasileira já foi escolhida seis vezes como melhor do mundo, sendo cinco de forma consecutiva, feito que nenhum outro atleta conseguiu. Além disso, Marta ultrapassou Pelé em 2015, tornando-se a maior goleadora da seleção. Até o momento a jogadora já balançou as redes 117 vezes, enquanto o “Rei” parou nos 95 gols.
Apesar de tantas conquistas, a falta de valorização e apoio dentro do esporte ainda persistem. Inúmeras “Martas” mundo afora passam por diversas provações só por serem mulheres. Enganam-se os que pensam que a caneta é o drible mais difícil de ser completado, para as esportistas, o machismo é o pior dos adversários.
Ser mulher e gostar de futebol é já ter sido vítima de chacota. O questionamento sobre a regra do impedimento é um dos mais populares exemplos de machismo no meio futebolístico. A luta vai muito além das quatro linhas, futebol é coisa de mulher, sim!

Marina Borges
[email protected]


Não transmitir modalidades femininas na TV não é sinal de machismo, é apenas a falta de tradição das mulheres nos esportes. Vôlei, esporte que o Brasil tem mais sucesso com equipe feminina, sempre é transmitido jogos da seleção e jogos decisivos, tanto feminino quanto masculino, na mesma proporção. Futebol feminino, apesar de termos a Marta, o Brasil nunca ganhou um título importante e nunca foi páreo para as equipes mais tradicionais, coisa que não acontece no masculino, onde estamos acostumados a ganhar; logo terá mais visibilidade. Esportes como o handebol, onde o feminino tem mais tradição que o masculino, sempre vejo jogos e campeonatos passando na TV, principalmente no Esporte Interativo, coisa que não vejo no masculino. Então, não problematize! Machismo é diferente. As emissoras necessitam de audiência e vã,o transmitir o campeonato para ver o Brasil cometendo um fiasco? Torço pelas meninas, mas com o futebol que elas vêm apresentando, dificilmente passaremos das oitavas de final.