Três Barreiras para o Desenvolvimento

Faz tanto tempo, que nem me lembro mais a primeira vez em que ouvi essa máxima pelas empresas por onde andei: “As pessoas são contratadas com base em seu conhecimento e demitidas por seu comportamento.”. E se buscarmos referências além dos aforismos populares, encontraremos estudos interessantes mostrando o impacto das competências não-cognitivas no sucesso profissional. Até no mundo das atividades liberais isso se confirma. Quantos advogados, dentistas, médicos ou educadores físicos competentes tecnicamente não conseguem prosperar por sua absoluta incapacidade de se relacionar com seus potenciais clientes?

Em dias de adoração da Inteligência Artificial, em que o medo de perder o emprego para as máquinas se alastra, o caminho para não ser substituído por uma, é não se comportar como ela. Prosperarão aqueles que tiverem suas competências sócio emocionais afiadas.

Preocupada em entender esse fenômeno, a professora Lynda Gratton da London Business School, se debruçou sobre o tema e concluiu que existem na sociedade contemporânea três grande barreiras para o desenvolvimento de tais competências. A primeira é o modelo de ensino da maior parte das escolas que se devota total ou quase totalmente ao conteúdo, esquecendo de investir em dimensões que têm um grande impacto na prosperidade e plenitude das pessoas. E a questão aqui não é apenas instilar o espírito critico e uma visão político-social – que também são importantes. Mas alimentar o desenvolvimento de recursos práticos fundamentais para a vida adulta, tais como: trabalho em equipe, liderança, empreendedorismo, gestão do tempo, organização, criatividade, resolução de problemas, e comunicação (entender e ser entendido e não apenas o formalismo da Língua Portuguesa).

O segundo obstáculo contemporâneo ao desenvolvimento dessas competências, que também chamamos de Soft Skills, é o excesso de tecnologia em nossas vidas. Principalmente aquelas que servem de ponte entre os seres humanos. Apesar de serem muito úteis para ao fomentar a quantidade da comunicação, as mensagens de texto ou mesmo a fala sem imagem, comprometem a sua qualidade e roubam a capacidade de perceber sinais sutis que veem do tom de voz ou da linguagem não verbal. E sem treinar a capacidade de sentir o outro, embotam-se essas habilidades.

Por fim, o stress que o mundo competitivo impõe, cria consequências hormonais e neurológicas que diminuem a disposição para ser empático, o que é catastrófico na construção de relacionamentos consistentes. Sem conseguir se colocar no lugar do interlocutor e entender o próprio impacto na relação, nenhuma competência sócio-emocional viceja.

Mundo complexo, grandes desafios.


Yuri Trafane
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