Carpe Diem

Todo fim de ano, entre o Natal e o Réveillon, escolho dois livros que me acompanham nos intervalos entre passeios, confraternizações e bebericos.

Um de ficção, leve, que me divirta; e outro que me empurre a pensar sobre algo maior que minha existência material e imediata. Esse último escolhi há algumas semanas surfando nos corredores de uma Livraria da Vila: Carpe Diem. Essa expressão latina nascida em uma poesia do escritor romano Horácio, repetida por outros eruditos ao longo da história e popularizada pelo filme Sociedade dos Poetas Mortos, é um lembrete que deveríamos invocar todos os dias.

Mas para aqueles que inebriados pelo cotidiano se vêm afastados dessa possibilidade, talvez seja uma boa sugestão trazê-la à tona a cada reinício de ciclo. A sua tradução mais comum é “aproveite a vida”, o que pode carregar a interpretação, na minha opinião equivocada, de um chamado ao hedonismo. Uma apologia a busca desenfreada pelo prazer sensorial.

Prefiro acreditar em algo mais sutil. Gosto de entender que ela diz respeito ao que pode fazer a vida valer, realmente, a pena. Àquilo que nos faça sorrir de satisfação antes do último suspiro. Entendo que uma vida plena é salpicada de momentos prazeirosos, mas não se limita a eles.

Transcende o que é óbvio e carrega um significado maior. E talvez a busca por esse significado maior possa ser a própria resposta. Quem sabe? Vejamos o que esse livro me mostrará. Se for algo saboroso, volto para compartilhar com você! Enquanto isso, que tal se perguntar: o que é uma vida que vale a pena para mim?

Tenho vivido de acordo com o que acredito? Na noite de Natal dê-se conta de onde você está e quem te cerca. Talvez seja o fio da meada…


Yuri Trafane
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