Brasil sem educação

Na mesma semana em que os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foram aumentados em 16% – com o reajuste, os subsídios dos magistrados passarão de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil (o aumento passará a valer a partir da sanção presidencial), o Senado aprovou o corte de 50% na fonte de recursos do Fundo Social do Pré-Sal.

Por meio de um projeto de lei, os senadores destinaram 50% dos recursos vindos da comercialização do petróleo do Pré-Sal, que iriam integralmente para o Fundo Social, para outro fundo, voltado para expansão de gasodutos e para o fundo de participação de Estados e municípios. A proposta ainda precisa passar pela Câmara e os recursos seriam destinados a investimentos em saúde e educação.

Retomando: Segundo cálculos de consultorias da Câmara e do Senado, o reajuste dos Juízes poderá causar um impacto de R$ 4 bilhões nas contas públicas.
Para os governos brasileiros, o investimento em saúde, segurança, educação – direitos constitucionais dos cidadãos – está em segundo plano. O trabalho está voltado a sustentar um Judiciário inoperante, custoso e promover uma Reforma da Previdência que precarize ainda mais a situação do trabalhador assalariado.

Nossos parlamentares legislam em interesse próprio, mas a população carrega sua culpa. Ao desrespeitar o trabalho dos professores, filmando discursos que dizem não concordar e ao comprar o discurso de uma “escola sem partido”, a sociedade ajuda a dispersar o foco de um investimento adequado para uma educação de qualidade.
A falta de educação não é causa. É consequência.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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