Disse-me certa vez um amigo que o futebol brasileiro é caso de Procon, pois o torcedor paga caro pelo ingresso para assistir 90 minutos e acaba acompanhando, em média, 30% disso.
Palmeiras e Santos fizeram sábado último um clássico decisivo para ambos pelo Brasileirão, com muitos gols, mas que poderia ter sido muito melhor se não houvessem 48 faltas cometidas e, em consequência, uma paralisação cronometrada de 17 minutos. Sem contar o tempo perdido com o assédio dos atletas em contestações à arbitragem, admoestação do juiz nas cobranças de escanteios, substituições, contusões forjadas e outros detalhes.

Em contrapartida, o futebol europeu prima por proporcionar justamente o contrário. Ainda no final de semana, o clássico inglês Arsenal e Liverpool – que nos últimos seis jogos entre si balançaram as redes 29 vezes (média de 4,8 por partida), protagonizaram uma partida dinâmica, com apenas 14 faltas cometidas, o que resultou em 37 arremates a gol e alto nível na posse de bola: 85% na precisão dos passes da equipe londrina e 77% do time da terra dos Beatles.
Esta diferença na maneira de pensar o jogo já nos tornou inferiores aos europeus há algum tempo. O fato está relacionado à quase totalidade dos treinadores brasileiros estarem muito pouco comprometidos em implantar um futebol mais dinâmico, procurando, sim, se manterem no cargo com ênfase a esquemas defensivos, além da pouquíssima autoridade para conter o ímpeto exagerado de seus comandados em campo.
Outro fator preponderante é a arbitragem, omissa, que se deixa controlar e ser pressionada pelos atletas, e até em alguns casos pressionada por fatores externos.

Leivinha Oliveira
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