De São João a Dubai: sanjoanense conquista espaço na aviação internacional

Ana Laura Moretto
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A infância de Alline Ferraz em São João da Boa Vista foi marcada por brincadeiras na rua, esportes e momentos em família. Hoje, a rotina é bem diferente. São cerca de sete voos por mês, viagens internacionais e uma vida entre diferentes culturas. Entre esses dois cenários está a trajetória de uma sanjoanense que deixou a cidade aos 17 anos, construiu carreira como modelo e desde 2023, trabalha como comissária de bordo da Emirates, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

As lembranças da cidade permanecem vivas. Ela recorda os dias em que chegava da escola e passava um tempo na casa da avó, apaixonada por aviões, antes de brincar na rua ou praticar esportes. Incentivada pela mãe, fez dança, judô e vôlei, mas foi no basquete que encontrou sua maior paixão, modalidade que praticou durante boa parte da infância e adolescência.

Trajetória: Alline construiu carreira internacional na aviação
e hoje trabalha como comissária de bordo da Emirates (Arquivo pessoal)

“Tive uma infância maravilhosa e agradeço até hoje por ter feito parte da última geração a brincar na rua”, contou. Também guarda boas lembranças da convivência com o irmão, sete anos mais velho, que sempre a incluía nas brincadeiras.

Aos 17 anos, em 2017, mudou-se para São Paulo (SP) para investir na carreira de modelo. A oportunidade surgiu após participar de um processo seletivo de uma agência, por incentivo da família. O início exigiu adaptações, principalmente pela competitividade do mercado e pela distância de casa. Chegou a interromper os estudos por um período, mas posteriormente concluiu a formação.

“Apesar das dificuldades que enfrentei, não me arrependo de nada. Eu estava correndo atrás de um sonho”, afirmou

Em 2019, mudou-se para a Itália para sua primeira temporada internacional. A possibilidade de trabalhar na aviação começou a ganhar força durante uma viagem aos Emirados Árabes, quando participou de uma semana de moda. Ao desembarcar e conhecer o terminal da Emirates, sentiu-se atraída pelo universo da companhia e pela possibilidade de viajar pelo mundo.

A CONQUISTA DA EMIRATES
Depois de pesquisar os requisitos das companhias internacionais, inscreveu-se no processo seletivo da Emirates. A convocação chegou em outubro, quando ainda cumpria seu último contrato como modelo na Turquia. Mesmo precisando pagar uma multa pela quebra do contrato, voltou ao Brasil no dia seguinte ao recebimento do e-mail.

A seleção teve diferentes etapas e exigiu meses de preparação. Além de estudar por várias horas diariamente, utilizava músicas internacionais para aprimorar o inglês. Em janeiro de 2023, foi aprovada na entrevista final e mudou-se para Dubai, onde iniciou o treinamento da companhia.

Foram meses de preparação, com oito horas de treinamento por dia, de segunda a sexta-feira, além dos estudos nos fins de semana. A confirmação da contratação veio por telefone, na chamada golden call.

“Foi uma mistura de alívio com euforia”, lembrou. A mãe, segundo ela, chorou mais do que a própria filha.

Na Emirates há quase quatro anos, a comissária explicou que a imprevisibilidade dos horários é um dos principais desafios. Os voos podem ocorrer em qualquer período do dia e são distribuídos conforme as escalas da companhia. Há viagens curtas, com retorno no mesmo dia, e outras de longa duração, nas quais a tripulação permanece de um a três dias no destino antes de voltar para Dubai, sua base.

“É um atendimento ao público como qualquer outro, tem seus benefícios, mas também seus desafios. E eu diria que são ainda maiores a 40 mil pés do chão, onde o atendimento ao cliente e a segurança andam lado a lado”, explicou.

A convivência com pessoas de diferentes nacionalidades também ampliou sua visão de mundo. Para ela, cada indivíduo carrega costumes e experiências que influenciam suas atitudes.

“Não existe um ‘certo’ para nada na vida. Cada pessoa é única e a maneira como ela age ou reage está puramente ligada com a sua cultura e seus costumes”, pontuou.

OS LAÇOS COM SÃO JOÃO
Mesmo morando fora, mantém contato diário com os familiares que vivem em São João e procura visitar a cidade sempre que possível, durante as férias ou quando a escala de trabalho permite. Sente falta dos amigos, dos lugares que frequentava e, principalmente, da comida. Uma padaria do antigo bairro costuma ser a primeira parada quando retorna.

Para o futuro, pretende continuar na aviação e já investe na possibilidade de assumir novas funções dentro da companhia. Aos que sonham em seguir a mesma carreira, Alline recomenda estudar idiomas, especialmente inglês, pesquisar as exigências das empresas e compreender os desafios da profissão.

“Fica mais fácil se você já tiver vocação, disposição para enfrentar os desafios e tiver como prioridade se cuidar fisicamente e mentalmente”, aconselhou.

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