O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura do câncer de mama e reduzir a agressividade do tratamento. Durante o Outubro Rosa, a enfermeira e coordenadora do curso de Enfermagem da Unifae, Eluana Maria Cristofaro Reis, reforçou a importância do autoconhecimento das mamas, da identificação de alterações e da realização de exames preventivos conforme as recomendações de saúde.

O câncer de mama é o tipo mais frequente entre as mulheres brasileiras, desconsiderando os tumores de pele não melanoma. Segundo a enfermeira, hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas, manter o peso adequado e evitar bebidas alcoólicas, também contribuem para reduzir o risco da doença.
A enfermeira explica que a orientação atual prioriza o autoconhecimento das mamas, em vez do autoexame com técnica e frequência fixas. A recomendação é observar e tocar a região no dia a dia, durante o banho ou ao trocar de roupa, por exemplo, reconhecendo as características habituais do próprio corpo.
Entre os sinais de alerta estão nódulos nas mamas ou axilas, saída espontânea de líquido pelo mamilo, retração da pele, mudanças no formato do mamilo e alterações que deixam a pele semelhante à casca de laranja.
“Nem toda alteração é câncer, mas toda alteração deve ser investigada. Ao perceber mudanças, a mulher deve procurar um serviço de saúde para avaliação”, orientou Eluana.
Segundo a enfermeira, o autoconhecimento não substitui a mamografia, que pode identificar alterações suspeitas antes mesmo do aparecimento de sintomas.
No Sistema Único de Saúde (SUS), mulheres de 50 a 74 anos têm recomendação de realizar mamografia de rastreamento a cada dois anos. Entre 40 e 49 anos, o exame pode ser solicitado mesmo sem sintomas. Acima dos 74 anos, a decisão é individualizada.
Eluana ressalta que mulheres jovens também podem desenvolver a doença, embora a maioria dos casos ocorra após os 50 anos. Histórico familiar, sedentarismo, excesso de gordura corporal e consumo de álcool estão entre os fatores associados ao risco.
A Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada para quem precisa de orientação ou investigação. Segundo Eluana, médicos e enfermeiros podem realizar o exame clínico das mamas, solicitar mamografia conforme as recomendações e encaminhar a paciente para avaliação especializada, quando necessário.
A orientação é não esperar a próxima campanha para buscar atendimento. Mulheres que perceberem alterações devem procurar uma unidade de saúde, assim como aquelas que precisam atualizar o acompanhamento preventivo.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil poderá registrar 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. Embora a doença seja mais comum após os 50 anos, mulheres mais jovens também podem ser diagnosticadas. O câncer de mama também pode atingir homens, que representam cerca de 1% dos casos. (A.L.M)



