Recordes e curiosidades do segundo turno das eleições 2026

MAURICE PROGIN
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Ao ser reeleito no domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou uma sucessão de marcos históricos na política brasileira. Com a vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, o petista enfileirou recordes relacionados a viradas, idade, número de votos, entre outros.

Infográficos: à esquerda, setas demonstram municípios onde candidatos ganharam votos; à direita, cidades que registraram aumento ou queda no comparecimento (

Em termos absolutos, o presidente se tornou o candidato com mais votos na história das eleições, ao alcançar 64.256.232, superando sua própria marca obtida no pleito de 2022, quando superou Jair Bolsonaro ao ser votado por 60.345.999 brasileiros.

Um levantamento do Instituto Lula também atribui ao presidente a maior quantidade acumulada de votos em eleições presidenciais no mundo. Segundo o estudo, a soma das sete disputas das quais participou chega a mais de 305 milhões de votos, juntando resultados de primeiro e segundo turnos.

LONGEVIDADE
Lula se tornou o primeiro político brasileiro eleito quatro vezes pelo voto direto. Agora, ele é o presidente com o maior número de mandatos conquistados pelo voto popular em democracias, ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos Franklin Roosevelt. O petista chegou ao quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, igualando o recorde do americano, que governou o país por 12 anos, entre 1933 e 1945. Até então, Roosevelt era o único nome entre os eleitos quatro vezes em democracias.

Ao término do mandato previsto para o fim de 2030, o presidente acumulará 16 anos à frente do Executivo nacional. Trata-se do mais longo período de governo liderado por um chefe de Estado sob o regime democrático no Brasil, ficando atrás em tempo total apenas de Getúlio Vargas, que soma 18 anos e meio distribuídos entre mandatos diretos, indiretos e regimes ditatoriais.

A vitória também renova recordes pessoais de longevidade e participação política. Prestes a completar 81 anos de idade, o presidente reafirma sua posição como o político mais velho a vencer a disputa pelo Palácio do Planalto, marca que já havia estabelecido em 2022, quando foi eleito aos 77 anos.

VIRADAS
De um turno para o outro, a diferença de votos se deslocou em direção a Lula em 5.410 municípios. Flávio ampliou a vantagem em apenas 160, a maioria no interior do Nordeste e no norte de Minas, regiões onde o petista já tinha votações altas. Além disso, 213 municípios em que Flávio Bolsonaro havia vencido no primeiro turno passaram a dar vitória a Lula. No caminho inverso, apenas uma cidade passou de Lula para Flávio.

O movimento também aparece nas 27 unidades da federação. Lula aumentou a vantagem em todos os estados onde já liderava, enquanto Flávio viu sua vantagem diminuir em todos aqueles onde venceu.

O presidente reeleito recebeu 10.289.240 votos a mais no segundo turno da eleição presidencial de 2026 em relação ao primeiro. Esse aumento supera a soma dos votos dos dez candidatos eliminados no primeiro turno, que receberam, juntos, 9.316.747 votos. O mais votado entre eles foi o escritor Augusto Cury (Avante), com 3.448.569 votos (2,89%). Em seguida vieram Renan Santos (Missão), com 2.675.887 (2,24%), e Ronaldo Caiado (PSD), com 2.605.148 (2,18%).

Flávio Bolsonaro conquistou 3,68 milhões de votos adicionais, crescimento inferior aos cerca de 5,61 milhões de votos recebidos, juntos, por Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema no primeiro turno, que teoricamente fazem parte do mesmo espectro político do bolsonarista.

ABSTENÇÃO, NULOS E BRANCOS
A soma de abstenções, votos brancos e nulos no segundo turno da eleição presidencial de 2026 chegou a 21,84% do eleitorado. O índice de 2026 é o menor entre todos os turnos de eleições presidenciais analisados desde 1998.

A taxa de abstenção de 19,21% na eleição de 2026 foi a menor registrada em um segundo turno presidencial nos últimos 20 anos. Em 2006, o percentual havia sido de 18,99%, apenas 0,22 ponto percentual abaixo do registrado neste ano.

MINAS GERAIS
‘Quem ganha em Minas, ganha as eleições’. Mais uma vez, essa famosa afirmação da política brasileira se mostrou verdadeira. Lula virou o resultado no segundo turno das eleições em Minas Gerais e venceu no estado com 50,43% dos votos válidos (6.351.099 votos), contra 49,57% de Flávio Bolsonaro (6.241.786 votos).

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente com 48,24%, contra 43,33% de Lula.

O estado mineiro foi o único do Brasil onde a liderança mudou entre o primeiro e o segundo turno.

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