Por Marcelo Gregório
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Donos de imóveis próximos à ponte da rua Campos Sales, no bairro Rosário, em São João da Boa Vista, pedem, com urgência, que a prefeitura revise os serviços recém-executados na estrutura da ponte, localizada sobre o Córrego São João, porque temem alagamentos e possíveis prejuízos.
Segundo eles, após a recuperação da ponte, a passagem da água teria ficado restrita facilitando o risco de transbordo até mesmo em dias de chuvas menos intensas. “Aqui já é uma região de problema e, além de tudo, obstruíram a ponte. Uma tragédia anunciada do jeito que está. O que nós vamos fazer com isso aqui?”, indagou o construtor civil, Aílton Pancieri.

Ao O MUNICIPIO, a funcionária pública aposentada Mirian Pancieri, mulher de Aílton, disse ter recebido da prefeitura a informação de que, durante os trabalhos de escavação para aumentar a vazão do córrego e melhorar o escoamento, foi encontrada uma estrutura antiga de esgotamento sanitário (emissor/coletor), pertencente à Sabesp, que precisaria ser retirada durante as obras para melhorar o fluxo da água. “Eles cavaram aqui para liberar o leito [e] acharam uma caixa da Sabesp, mas não podiam retirar. A prefeitura concretou porque essa ponte tem um ‘pé direito’ no meio e a água passava pelos dois lados, em três metros de altura. Agora, o leito do rio está uns setenta centímetros [após a aplicação do concreto para cobrir a caixa]”, contou.
“Do outro lado, quando dá enchente a sujeira para e entope tudo, porque não passa nem pelo lado que está entupindo nem do outro que está com a vazão diminuída. [Com isso] ela transborda, desce a rua Campos Sales e inunda tudo lá para baixo” explicou a mulher. “Qualquer chuvinha inunda a rua. Eu nunca vi isso na minha vida”, pontuou José Antonio, morador nas imediações há quase 80 anos.
PROTEÇÃO
A gestão pública municipal alegou que a concretagem sobre o emissário foi uma medida de engenharia emergencial para encapsular a tubulação da Sabesp e proteger as fundações da ponte contra erosões e colapso. “Como ação definitiva de macrodrenagem, a prefeitura já iniciou o processo de desapropriação de imóveis no entorno para permitir o alargamento da calha do Córrego São João”, completou. O Executivo sanjoanense reforçou que a estrutura antiga é fundamental para o transporte do esgoto de toda a região central até o sistema de tratamento.
ALTERNATIVAS
Segundo informou a Sabesp, o emissário sob a ponte é antigo e faz parte do sistema de esgotamento sanitário. “Com o crescimento da cidade e aumento do volume de águas pluviais, a prefeitura solicitou uma avaliação técnica à Companhia. A Sabesp está realizando estudos para verificar alternativas e segue em tratativas com o município para buscar soluções conjuntas”, confirmou em nota.
Apesar das explicações técnicas, o casal, que tem uma residência quase ao lado da ponte, fez um alerta com veemência para que providências sejam tomadas com agilidade. “Já era uma região de calamidade, e agora jogaram concreto debaixo da ponte. Quando chove lá na cabeceira, aqui a água já começa a sair na rua, porque não tem vazão”, reiterou o construtor civil. “Nós estamos com medo de chegar agora o final de ano. Vai encher as casas, se vier outra pancada de chuva forte”, finalizou Mirian.
RELEMBRANDO
Em janeiro de 2025, devido à degradação estrutural constatada, a ponte da Campos Sales precisou ser preventivamente interditada para reduzir riscos iminentes à segurança da população. Ao todo, foram quase nove meses de interdição.




