Praticamente até os meus 15 anos, “meu sonho de ser quando crescer” era cantora ou gerente de banco. De alguma forma, parafraseando Rubem Alves, tudo deu certo para mim, porque tudo o que eu planejei deu errado. O que me trouxe até aqui me tornou uma pesquisadora, uma curiosa profissional sobre carreira, felicidade, desenvolvimento de pessoas e é exatamente esses temas que estarão presentes nessa coluna mensal. Eu espero, de todo coração, trazer inspiração e “abrir novas janelas” para que o seu trabalho não dê tanto trabalho assim. Até porque vamos passar pela vida mais tempo trabalhando do que fazendo qualquer outra coisa. O tempo de trabalho na vida só perde para o tempo de sono. Se tem que ser assim, que façamos valer a pena.
Toda carreira tem cinco fatores de sucesso: vivência acadêmica (sua trilha de aprendizado), vivência profissional (sua experiência prática, dentro ou fora de uma empresa), idioma, postura (a maneira como você se comporta) e a sua história de vida. Nada, nada é tão poderoso na sua carreira quanto a sua história de vida. Portanto, sempre honre a sua história de vida. Eu peço licença para contar um pouco da minha.
Iniciei minha carreira no banco, depois passei vários anos entre as áreas financeira, de projetos e gestão de pessoas, até que um dia eu recebi o convite para me tornar professora na graduação. Foi exatamente naquele dia que eu entendi o sentido da afirmação: “Encontre o trabalho que você ama porque a partir daí nunca mais será só sobre trabalho”. Quando eu estou com os estudantes, seja no presencial ou virtual, eu sinto como se o mundo pudesse acabar que eu estaria exatamente onde eu gostaria de estar, fazendo exatamente o que eu gostaria de fazer, porque a educação é o meu “lugar no mundo”. Me tornar uma educadora me fez tão bem, tão feliz, que eu decidi me especializar em carreira para ajudar outras pessoas a encontrarem “o seu lugar no mundo”. Cada um de nós tem o seu.
As pesquisas sobre carreira mostram que o esforço que você faz para fazer uma boa entrega diz muito sobre o seu lugar no mundo. Como professora, rapidamente eu percebi que o esforço que eu fazia para oferecer uma aula inesquecível não era um terço do esforço que eu precisava fazer para ser exata nas minhas entregas na área financeira.
Essas mesmas pesquisas (fonte Gallup) também mostram que vivemos grandes desafios no mundo no trabalho:
– Oito a cada dez profissionais consideram mudar de chefe, de empresa, de carreira;
– A cada dez profissionais ativos, dois estão altamente engajados, dois estão altamente desengajados e para os outros seis, “tanto faz”;
– A nova geração, Z, na faixa entre 14 e 29 anos, considera pedir demissão todos os dias;
– Temos um mundo do trabalho com muita gente certa, no lugar errado. Por esse motivo, essas pessoas acumulam prejuízos na entrega, autoestima e imagem.
A notícia boa é que a psicologia mostra que temos mais neurônios na cabeça do que estrelas no céu. Já somos as pessoas certas – o que não nos impede de sermos uma melhor versão de nós mesmos todos os dias – mas a questão aqui é: estamos no nosso lugar?
A outra boa notícia é que, embora vivendo em um mundo do trabalho com muitos vieses, quando encontramos com um profissional que está exatamente no seu lugar, esse profissional se torna referência, inspiração e fonte de coragem para todos à sua volta.
Muito provável que você não inicie a sua carreira já no “seu lugar de mundo” – um bom estrategista de carreira tem um plano A, B, C e D, para o curto, médio e longo prazo – mas construir o caminho para chegar lá, além de ser fundamental, também é uma questão de merecimento. Se temos mais neurônios na cabeça do que estrelas no céu, merecemos que o trabalho seja fonte de realização e satisfação em nossas vidas.
Existem perguntas que não são para uma resposta rápida, mas que têm o papel da reflexão, o papel de incomodar nossos pensamentos. E também tem a perspectiva de que as respostas estão no passado, mas são as boas perguntas que nos levam para o futuro. Então, vamos inaugurar essa coluna com uma belíssima pergunta para a sua reflexão:
Qual é o seu lugar no mundo?

Dani Rodrigues, estrategista em Felicidade
e futuros no trabalho. Vice-reitora na Unifeob
(onde há 14 anos se tornou professora)




