Por Ana Paula Fortes
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O outono no Brasil começa oficialmente no dia 20 de março, às 11h45, e segue até 20 de junho. A chegada da nova estação costuma trazer a expectativa de dias mais amenos e temperaturas mais agradáveis, mas, na prática, essa mudança nem sempre acontece de forma imediata. Meteorologistas explicam que o clima não segue exatamente o calendário. A atmosfera costuma mudar de maneira gradual, e os primeiros dias da estação ainda podem apresentar características do verão.

Para o fim de março e início do outono de 2026, a tendência é de aumento das temperaturas nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com o afastamento das massas de ar polar. Mesmo assim, o período ainda deve ser marcado por dias abafados e pancadas de chuva em diferentes partes do país.
Esse tipo de instabilidade preocupa especialmente cidades como São João da Boa Vista, que já enfrentam desafios relacionados à drenagem urbana e possuem áreas mais vulneráveis a alagamentos. Mesmo quando a média de chuva da estação é menor, temporais concentrados em poucas horas podem causar transtornos como enchentes, quedas de árvores e até deslizamentos de terra.
REFLORESTAMENTO
Além das medidas de infraestrutura e planejamento urbano, especialistas apontam que ações ambientais também podem ajudar a reduzir os impactos das chuvas intensas. A engenheira agrônoma Juliani Vasconcelos, responsável técnica do Instituto Planeta Plantar, destaca que o reflorestamento é uma estratégia importante para aumentar a capacidade do solo de absorver água e diminuir a velocidade das enxurradas.
Segundo ela, as árvores funcionam como uma espécie de barreira natural contra enchentes. “Diferente do concreto, as raízes das árvores funcionam como esponjas, ajudando o solo a absorver a água das chuvas intensas e reduzindo a velocidade das enxurradas que causam alagamentos”, explicou.
Em São João, iniciativas de recuperação ambiental também têm contribuído para a preservação de nascentes e margens de córregos. O Instituto Planeta Plantar, por exemplo, atua na recuperação da biodiversidade local, com foco em espécies nativas da Mata Atlântica e do Cerrado.
Espécies como ingá e aroeira são utilizadas em projetos de reflorestamento por ajudarem a proteger áreas de nascentes e formar corredores ecológicos, que contribuem para o equilíbrio do microclima da região.
Outra alternativa para quem deseja contribuir com a arborização da cidade é procurar o Viveiro Municipal, que disponibiliza mudas adequadas para calçadas e áreas urbanas, garantindo sombra e melhor drenagem da água da chuva sem causar danos à infraestrutura.
Para Juliani Vasconcelos, o início do outono é um período estratégico para o plantio. “Plantar nesta época, aproveitando a umidade residual do solo, é um investimento direto na segurança da cidade contra os eventos extremos que têm marcado o novo cenário climático”, afirmou.
Ela reforça que a participação da população pode fazer diferença. “Seja na calçada de casa com o apoio do Viveiro Municipal, ou na recuperação de uma área degradada com a expertise do Instituto Planeta Plantar, o plantio de árvores neste outono é uma das ações preventivas mais eficazes que o cidadão sanjoanense pode tomar diante dos extremos climáticos”, concluiu.
Chuvas já provocaram tragédia histórica em São João
As enchentes que voltaram a preocupar moradores nas últimas semanas não são um fenômeno inédito em São João da Boa Vista. O MUNICIPIO registrou, na edição de 18 de dezembro de 1949, o que é considerado até hoje um dos episódios mais graves relacionados às chuvas na história da cidade.

Na ocasião, o jornal estampou na manchete: “Verdadeira catástrofe: a tromba d’água caída ontem em São João”. A reportagem descreve cenas de grande destruição provocadas por uma forte enxurrada que atingiu a cidade durante a noite.
Segundo o relato da época, diversos prédios foram destruídos e vários mortos foram encontrados após a tragédia. O texto também menciona famílias atingidas, operações de socorro e mobilização de moradores e autoridades para prestar ajuda às vítimas.
O episódio ficou marcado como uma das maiores enchentes já registradas em São João e permanece como lembrança histórica da força das chuvas intensas na região.



