Nova diretriz da SBC reduz metas de colesterol no Brasil

REDAÇÃO
[email protected]

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) divulgou na quarta-feira (24) a atualização da Diretriz de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, que substitui a versão de 2017 e endurece metas de colesterol, segundo o g1. A principal novidade é a inclusão da categoria de risco extremo para pacientes que já tiveram múltiplos eventos cardiovasculares, com meta de LDL — o “colesterol ruim” — inferior a 40 mg/dL.

Colesterol LDL: excesso acelera a formação de placas de gordura nos vasos sanguíneos (Reprodução/g1)

O cardiologista Ítalo Menezes Ferreira, do Instituto Dante Pazzanese, reforça que não há um valor único para todos os pacientes. “Primeiro é preciso estratificar o risco cardiovascular do paciente. Só a partir daí se define a meta de LDL adequada”, explicou.

Para o cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori Katayose, do Hospital Beneficência Portuguesa, a mudança parte da necessidade de evitar novos eventos graves. “Ao criar a categoria de risco extremo, a diretriz reconhece que pacientes que já tiveram múltiplos eventos precisam de metas mais agressivas”, afirmou.

O documento também recomenda a dosagem da lipoproteína(a), associada a maior risco de infarto e AVC, embora o exame ainda não esteja disponível no SUS. Katayose lembra que parte das alterações de colesterol tem origem genética. “Muitas vezes o histórico familiar de infarto se explica por dificuldade de metabolizar o colesterol. Nesses casos, a detecção precoce é crucial para mudanças de estilo de vida ou início da medicação”, disse.

A diretriz orienta ainda o uso de terapia combinada em pacientes de alto a extremo risco, com associações de estatinas, ezetimiba e inibidores de PCSK9. Para Ferreira, a medida segue um consenso internacional.

“Diversos estudos mostram que, quanto mais cedo e mais baixo for o controle do LDL, menor o risco de morte, infarto e AVC. Por isso, a diretriz brasileira está alinhada à europeia, que também reduziu metas recentemente”, afirmou.

Apesar dos avanços no tratamento, o estilo de vida saudável segue essencial. “A vida moderna favorece a dislipidemia. Por isso, além das medicações, é preciso mudar hábitos”, alertou Katayose.

A expectativa da SBC é que a atualização contribua para reduzir a mortalidade cardiovascular no País, em um cenário marcado pelo crescimento da obesidade, do sedentarismo e do estresse crônico.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here