Produtores rurais desistem de venda direta ao consumidor

Por Clovis Vieira
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Depois de nove anos em atividade, a Feira do Produtor Rural parece estar com os dias contados. Segundo informações do Sindicado Rural de São João, a maioria dos 13 expositores iniciais desistiu de participar com seus estandes dessa iniciativa promovida por aquela entidade por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). “Pra gente se manter firme nessa atividade, é preciso muita perseverança”, apontou Maria Léa Mariano Flozino, 64, moradora na chácara Nossa Senhora de Fátima, no bairro Tapico, única remanescente da feira, de acordo com o sindicato.

Em família: produtos colhidos com cuidado e critério podem melhorar a renda familiar (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

Com relação aos colegas que com ela comercializavam na Feira do Produtor, Léa imagina que alguns desistiram por causa da pandemia de Covid-19, enquanto que outros o fizeram por motivos pessoais. “A maioria dos meus colegas tem idade mais avançada e eles ficaram com medo de contrair a doença. Eu e uma colega também nos afastamos uns 30 dias, mas voltamos depois”.

Com relação às vantagens dessa forma de comércio, Léa pondera: “Estamos enfrentando uma crise em todos os ramos de atividade, mas permanecemos pelo vínculo criado com nossa freguesia e pelo amor que temos naquilo que fazemos”.

AMOR AO CLIENTE

A primeira Feira do Produtor Rural foi inaugurada no dia 19 de outubro de 2016, na antiga sede da Polícia Florestal, na avenida Dr. Durval Nicolau. Por intermédio do Senar, 13 produtores rurais receberam capacitação e aprendizagem. Na oportunidade, oito quiosques foram montados com o uso de bambus, feitos pelas próprias mãos dos expositores, com produtos hortifruti sem agrotóxicos, saladas prontas, pastéis fritos na hora, temperos variados, pães caseiros, mel e seus derivados, plantas ornamentais e até biscoitos.

Durante alguns anos, o sucesso foi uma realidade atraindo grande clientela, o que motivou a abertura de uma nova feira, desta vez na praça do Perpétuo Socorro, inaugurada em 11 de outubro de 2017. Léa faz uma espécie de check-up da situação atual: “Nós continuamos mais por amor mesmo, amor aos clientes que acabam se tornando nossos amigos… Mas as feiras estão se acabando, elas já não são mais como eram antes, quando todos gostavam de frequentar”. Na feira, ela atuava com a filha Taynara e o esposo Carlos cuidava da horta.

Márcia Zanelo Ribeiro, coordenadora de cursos do Senar afirmou: “Na verdade, não temos uma ação pensada para normalizar essa situação, os expositores atuam na feira através de um projeto que foi oferecido a eles através do programa Feira do Produtor”. O que poderá ocorrer, de acordo com ela, caso haja demanda, é solicitar ao Senar outro programa para 2026, para incluir novos participantes. “Os produtores interessados podem entrar em contato com a gente pelo telefone (19) 9.9843-6374”, concluiu.

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