A história é a ciência que estuda a mudança nas sociedades humanas de todos os tempos e lugares. Para entender o que aconteceu no passado, a história se vale de um aprofundado conhecimento do presente. Existe a história do presente, a história do passado e a história tendencial do futuro. O que dizemos da história em geral pode ser dito sobre seus variados recortes: história política, história econômica, história cultural, história da educação e assim por diante. Estudando a história da educação brasileira, vislumbramos a evolução do fenômeno educativo ao longo do tempo no espaço do que denominamos Brasil. Dentre os variados aspectos está o da formação da escola neste país e tudo que se relaciona com ela, sua consolidação como instituição, o aluno e tudo o que o envolve na estrutura social.
Nem sempre tivemos professores por aqui. Quando, no período colonial, aconteceram as reformas pombalinas, em meados do século 18, surgiu a figura do “professor régio”. Os colégios e seminários jesuíticos eram locais sobretudo de formação de quadros religiosos – da mesma forma que seus similares franciscanos e beneditinos.
O século 19 assiste a um processo de institucionalização escolar que abrange a formação de um corpo profissional novo, o dos professores, que no final do século já torna pública sua consciência de pertencimento a uma categoria ocupacional diferenciada por meio de associação e manifestação.
Historicamente aparecem práticas pedagógicas inadequadas ou ineficazes, produzindo mudanças pontuais em algumas das variáveis do sistema educativo.
Como analisar tais mudanças? O professor emérito da Unicamp Dermeval Saviani mostra que a política educacional brasileira desde o final da ditadura em 1985 pode ser sintetizada com as características de filantropia, protelação, fragmentação e improvisação. Tudo isso leva à precarização geral do ensino no país.
No contexto atual os problemas são mais complexos já que os grandes grupos empresariais atuando no ensino ramificam-se nas forças dominantes da economia e na própria esfera pública, junto aos governos e no interior das próprias redes de educação pública.
Com relação à questão da qualificação docente, não é verdade que a rede particular seja qualitativamente melhor que a rede pública: a má qualidade de muitas escolas superiores privadas de formação de professores contribui para determinar a baixa qualidade da rede pública de educação básica. É preciso fixar metas claras, caso contrário os discursos não passam de promessas vãs.
Quanto às tecnologias, a educação tem o desafio de aproveitar seus benefícios e levar a pensar, dialogar, discutir e atuar em conjunto. As inovações têm sido incapazes de transformar as escolas, como revelam inúmeros estudos, já que não atingem as estruturas profundas do ensino.
Há mudanças que afetam as práticas diárias, eliminando quase automaticamente as opções para mudá-las. Muitas vezes as mudanças são na aparência e não em profundidade, reordenando a superfície técnica da aula.
Qualidade de ensino se faz por uma intrincada relação de recursos físicos, materiais, humanos e financeiros e ligada à concepção que se tem sobre o ensino superior.
Há na universidade espaços passíveis de inovação contribuindo para a formulação de novos parâmetros científicos. Assim, a produção do conhecimento pelo ensino alcança a produção do pensamento, a capacidade cognitiva e estética do aprendiz. E isso não é pouco.
Fator de extrema importância: aprender envolve prazer. É importante a recuperação do prazer de estudar, de descobrir, de aprender. É preciso cuidar da formação. É preciso que o magistério seja atrativo, com propostas que dignifiquem sua missão, vital para o desenvolvimento do país.

Maria Eugênia Castanho doutora em Educação pela Unicamp, professora universitária e membro fundadora do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.




