Steve Jobs, importante empresário e inventor americano, fundador e ex-presidente da empresa Apple, afirmou certa vez que trocaria toda sua tecnologia por uma tarde com Sócrates, filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga. Certamente, as palavras desse grande empresário e magnata da indústria tecnológica revelam que a busca por conhecimento e sabedoria deve ser uma prioridade no viver humano.
Portanto, quando falamos de Inteligência Artificial (IA) devemos lembrar que são os seres humanos que a produzem. Atualmente, o próprio conceito de inteligência humanizada advém de um ramo da inteligência artificial que se concentra em desenvolver sistemas que não apenas automatizam tarefas, mas também compreendem, interagem e se adaptam aos seres humanos de uma forma mais natural e empática.
Mais do que isso, sabemos que as máquinas podem oferecer informações e análises objetivas, mas não podem substituir a compaixão, o afeto, a compreensão, a ternura e a empatia que um ser humano pode oferecer a alguém que está passando por um momento difícil. Em outras palavras, os algoritmos são incapazes de substituir a bondade.
Não obstante, a IA está literalmente ao nosso lado, no celular que usamos para conversar, no algoritmo que sugere a música perfeita para o nosso humor, na assistência virtual que responde nossas dúvidas com uma rapidez impressionante, no GPS que nos ajuda a encontrar o caminho mais rápido, nos aplicativos que nos auxiliam na realização de compras mais inteligentes, além de inúmeras outras possibilidades.
Por tudo isso, a IA está em constante evolução e tem o potencial de transformar diversas áreas da nossa vida, desde a medicina e educação até a indústria e o entretenimento. Estamos vivendo uma nova revolução tecnológica na medida em que tudo ficou mais fácil, mais ágil e mais conectado. Porém, diante das mudanças que acontecem ao nosso redor, não podemos ficar passivos, resignados, indiferentes e acomodados. Devemos valorizar o pensamento crítico para fazer ponderações sobre os limites que precisam ser estabelecidos no nosso relacionamento com a IA, pois não podemos permitir que as ferramentas digitais nos transformem em meros espectadores de nossas próprias vidas, incompetentes para a arte da inventividade e da criação original.
Diante das crescentes inovações tecnológicas devemos assumir uma atitude consciente e crítica, principalmente quando integramos a inteligência artificial em nossas vidas, tanto no trabalho quanto na rotina diária. Nesse sentido, a Microsoft e a Universidade Carnegie Mellon, realizaram um estudo sobre como a tecnologia pode afetar a nossa criticidade. A referida pesquisa concluiu que os usuários de ferramentas de IA podem sofrer redução da sua capacidade de pensar criticamente e de resolver problemas mais complexos quando utilizam as tecnologias sem nenhum questionamento.
Diante exposto, podemos concluir que a IA possui um potencial imenso para impulsionar avanços sociais e econômicos, mas requer cuidados quanto aos riscos de criar dependência digital, ou seja, a incapacidade de fazer cálculos simples, elaborar textos e tomar decisões sem o auxílio de aplicativos ou ferramentas digitais. Assim sendo, “O MUNICIPIO” convida seus leitores a buscarem os recursos valiosos da IA acompanhados da reflexão ética, das regulamentações eficazes e de uma abordagem que priorize o desenvolvimento humano, a independência intelectual e o bem-estar coletivo.

Antonio Artequilino da Silva Neto é doutor em Linguística, mestre em Educação, historiador, professor, escritor e youtuber – “Pensar com Arte – quilinho”

