Por Mariana Mendes De Luca | @marianamdeluca

Diariamente recebo tentadoras promoções de vinhos com descontos que chegam até 70%. Eu sempre me pergunto se nessas promoções sai ganhando quem está vendendo ou quem está comprando. A resposta, embora gostaríamos, não é tão simples assim.
Visitando alguns sites pude notar, principalmente nos vinhos brancos e rosés, que eram um excelente negócio… para o comerciante! Mas também já encontrei vinhos interessantíssimos, pois as promoções movimentam esse nicho de uma maneira muito interessante e é comum os preços abaixarem quando o importador ou o comerciante precisa gerar uma rotatividade nas prateleiras.
Isso acontece porque, de forma geral, vinhos jovens, principalmente claros, tem seu auge mais cedo e com o tempo vão perdendo o que de melhor eles podem oferecer, como se tivessem um “tempo de vida”. Sendo assim, aumentando os descontos desses vinhos já não tão jovens, a rotatividade das bebidas em prateleira também aumenta, abrindo espaço para novos rótulos e safras mais jovens.
Mas então, como saber se uma promoção vale a pena ou não?
Eu sempre estou pesquisando rótulos promocionais, e deixo aqui uma dica para quem tem interesse em aprender mais sobre vinhos, se atentem nas promoções pois com elas, descobrimos muitos rótulos e vemos quão boa é uma promoção a partir do entendimento da elaboração daquele vinho.
Com essas pesquisas desenvolvi habilidades simples para começar a ver as promoções com bons olhos. Não são regras e muito menos a certeza de que funcionarão em 100% das vezes, mas sempre me ajudam a entender se, de fato, vale a pena aproveitar aquele desconto.
O primeiro ponto que vejo é a uva que foi usada na vinificação daquele vinho. Essa informação nem sempre está no rótulo, já que nos exemplares do velho mundo os produtores não descrevem neles suas uvas e sim a região de onde foram produzidos. Diferentemente de nós, do novo mundo, que sempre destacamos a uva para depois se for pertinente, descrever em rótulo sua origem.
Essa questão de relacionar a uva ao país nos ajuda a entender se aquela promoção valerá a pena ou não, visto que algumas uvas se desenvolvem melhor em determinadas regiões do que em outras.
Um ótimo exemplo é a Pinot Grigio, uma uva de origem francesa que se desenvolveu muito bem na Itália, portanto, um exemplar italiano com essa casta, com certeza trará boas surpresas.
Depois disso, vale a pena se atentar ao ano da safra dele. Aquele ano descrito na garrafa é o ano em que a uva foi colhida e o processo de vinificação foi iniciado. No exemplo anterior, a Pinot Grigio é sinônimo de leveza e frescor, sendo assim, a maioria dos seus exemplares são jovens. Para esses vinhos e para os rosés, o ideal é ter seu consumo em até três anos, quando ambos, brancos e rosés, não tenham passagem por barricas de carvalho e com isso, não entraram na linha inversa da sua evolução.
A passagem pelo carvalho é algo opcional na vinificação e é mais comum em vinhos tintos. Essa etapa do processo faz com que esse tempo seja um aliado na qualidade final do vinho e nesse caso é interessante esperarmos mais tempo para consumi-lo, já que o envelhecimento dele irá torná-lo um vinho ainda melhor.
Por fim, observo nas lojas físicas em como foi feito o armazenamento desse vinho. Se ele ficou exposto ao sol ou esteve em locais onde a variação de temperatura é recorrente, certamente ele não estará em suas melhores condições e aí aproveitar essa promoção lhe trará frustrações.
Eu sempre digo que no mundo do vinho ninguém faz milagres e entender pontos simples como esses, o ajudará a expandir seu repertório e aproveitar boas promoções tal como aproveitamos bons vinhos.
Um brinde às boas oportunidades e até A Próxima Taça.




