Passagem de cometa chama atenção no Recanto do Lago

Por Bruno Manson
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Na noite de terça-feira (21), os sanjoanenses tiveram a oportunidade de presenciar um fenômeno raro: a passagem do cometa C/2024 G3 Atlas. Por volta das 20h04, o astro foi observado e fotografado pelo público que passava na pista de caminhada ao lado do piscinão do Recanto do Lago. Mesmo com a iluminação pública de led do local, já era possível ver o cometa a olho nu no horizonte oeste, logo depois do pôr do sol.

Flagrante: C/2024 G3 Atlas foi fotografado por Dulcídio Braz Jr e Luiza Araújo Braz na noite de terça-feira (21) (Divulgação/Arquivo Pessoal)

Com uma câmera fotográfica fixa num tripé, o professor e físico Dulcídio Braz Júnior conseguiu registrar a passagem do astro. “Cometas fazem parte da categoria de astros menores do sistema solar, ou seja, objetos que orbitam o sol e são bem pequenos quando comparados a planetas e seus satélites, por exemplo. São astros de núcleo sólido que podem ter diâmetro de centenas de metros até dezenas de quilômetros. Cometas, diferentemente de asteroides que também são rochosos e relativamente pequenos, são cobertos por material volátil congelado. Sendo assim, quando estão afastados do sol, cometas são objetos minúsculos, que pouco refletem a luz solar e, portanto, são muito difíceis de serem vistos até mesmo por meio de telescópios”, relatou. “Mas, quando em sua órbita, um cometa se aproxima da nossa estrela, recebe mais calor que faz o material superficial congelado, por aquecimento gradativo, se desprender na forma de partículas de poeira e gases. Este material particulado e gasoso, por gravidade, fica preso ao pequeno núcleo sólido formando em torno dele a coma (ou, popularmente, a cabeleira), uma espécie de atmosfera que faz o tamanho aparente do astro aumentar bastante na medida em que mais e mais material se desprende. E o mais incrível é que o Sol emite em todas as direções um fluxo constante de partículas que chamamos de vento solar. Este fluxo, quando atinge a coma do cometa, literalmente a sopra para longe, expulsando gases e poeira na direção Sol-cometa, o que dá origem a uma cauda que pode crescer bastante e atingir alguns milhões de quilômetros. Incrivelmente, por este “capricho cósmico”, o minúsculo e apagado astro inicial cresce visualmente com a proximidade ao Sol a ponto de poder se tornar grande e brilhante o suficiente para ser visto daqui da Terra até mesmo a olho nu”, detalhou o educador.

DESCOBERTA

O C/2024 G3 Atlas foi descoberto em 5 de abril de 2024 num levantamento de dados do ATLAS – sigla para Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System, um projeto que monitora o céu em busca de asteroides que possam representar algum perigo de impacto casual futuro com o planeta. Na ocasião, o astro encontrava-se a cerca de 655 milhões de quilômetros da Terra e, portanto, ainda era visualmente minúsculo e apagado, com pouquíssima coma e discreta cauda linear. No dia 13 de janeiro, o cometa passou pelo periélio, ponto de máxima aproximação com o sol. “Para a sorte de quem gosta de astronomia, o C/2024 G3 Atlas sobreviveu à sua passagem periélica e tinha suficiente matéria-prima para formar coma e cauda a ponto de poder ser visto, daqui do hemisfério sul, logo depois do anoitecer, até mesmo a olho nu. Apesar do período de chuvas típicas do verão ao sul do equador, ou seja, apesar do céu quase sempre nublado ao longo de janeiro, no dia 21, por sorte, o horizonte oeste estava limpo e o cometa pode ser observado e registrado daqui de São João da Boa Vista”, explicou o professor.

DESTINO

Dulcídio explica que, diferentemente do conhecido cometa Halley – que é periódico e demora 76 anos para dar uma volta no sol, revisitando a Terra a cada 7,6 décadas –, o C/2024 G3 Atlas não é periódico e agora segue o seu destino gravitacional, mergulhando para sempre nas profundezas do sistema solar. “Daqui para frente, com menor incidência de energia térmica, o cometa irremediavelmente perderá coma e cauda na medida em que também ficará menos brilhante. Embora ainda possa ser observado por mais uns dias com o auxílio de equipamentos, dificilmente o C/2024 G3 Atlas continuará visível a olho nu”, concluiu.

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