Por Pedro Souza
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O dia a dia em um trabalho muitas vezes pode se tornar estressante e nada saudável para os funcionários. Longas cargas horárias, ambientes competitivos e inúmeros outros fatores desencadeiam em problemas aos trabalhadores. A síndrome de Burnout é um destes problemas identificado pelo esgotamento físico e estresse.
De acordo com estudo realizado pela Associação Internacional de Gerenciamento de Estresse, o Brasil é o segundo país com maior número de casos de Burnout diagnosticados, afetando 30% dos trabalhadores.

BURNOUT
A síndrome é um estado de fadiga oriundo de um estilo de vida que uma pessoa adotou. “Gosto de dizer que o Burnout é conhecido como a Síndrome da Exaustão ou até mesmo da Desistência, haja vista, que a pessoa ao realizar suas atividades profissionais se depara com sentimento de frustração e exaustão constante”, explicou Tamires Camargo, psicóloga Organizacional e do Trabalho.
O estresse comum do cotidiano e o Burnout não são iguais e existem diferenciações, como relata Camargo. “Todos nós temos estresses diários em nossa vida, afinal, ele é uma resposta do nosso organismo para situações que envolvem pressão ou que nos ameaçam de alguma forma. Todavia, um organismo que está bem, retorna ao seu estado normal após compreender o processo. Já o Burnout não; ele é constante e seus sintomas são mais intensos que o estresse, como, por exemplo: numa situação de estresse, temos o super envolvimento das pessoas; já no Burnout, a desistência se caracteriza. No estresse temos a sensação de imediatismo, urgência e hiperatividade, e no Burnout a sensação é de desesperança e abandono”, disse.
TRABALHO
A síndrome possui três componentes e todos eles se relacionam ao ambiente de trabalho, ou seja, está diretamente ligado. “Exaustão emocional em que a pessoa está exausta tanto emocionalmente, quanto fisicamente. O organismo aqui já não consegue mais reagir perante aos estressores. O outro componente é a despersonalização, o indivíduo deixa de importar com seus pares, muitas vezes, age como se os outros não existissem ou fossem ‘coisas’, se tornando insensível. Por fim, a baixa realização profissional: não há mais sentido no que ela faz profissionalmente, sua produtividade reduz drasticamente e o trabalho passa a ser mais um peso do que trazer realização. É uma fase de diversos questionamentos”, comentou a psicóloga.
DIAGNÓSTICO
Atualmente existem instrumentos psicológicos que auxiliam os profissionais da área na compreensão da existência do Burnout, além do diálogo em terapia e da análise do contexto de vida e profissional dos pacientes.
“O trabalho, neste caso, é do psicólogo e do médico psiquiatra, que também será envolvido para o diagnóstico e tratamento com medicação, enquanto o psicólogo trabalhará o manejo em terapia, principalmente na reformulação de novos hábitos, acompanhando o paciente em todo o processo”, elucidou a especialista.
A psicóloga acrescenta: “Uma pessoa propensa a desenvolver o quadro de Burnout não é aquela que foge das suas atividades e obrigações, pelo contrário, trabalha arduamente para conseguir entregar dentro do prazo, o que pode acarretar em ansiedade — será que vou dar conta, será que tenho competência para isso? Será e será… Já quando diagnosticada pode apresentar interesse em se isolar, desânimo para se envolver com outras pessoas e atividades profissionais, e até mesmo se questionar de sua realização profissional, o que pode desencadear a depressão também”.
É de suma importância buscar ajuda de um especialista na área, principalmente, pelo fato de que a síndrome de Burnout pode desencadear em outros problemas mais graves de saúde mental. “Inclusive despertar pensamentos de que a vida não vale a pena ser vivida e a pessoa pensar em tirar a própria vida. Outros problemas que precisamos ficar atentos são: distúrbios do sono, distúrbios sexuais, lentidão no pensamento e dificuldades relacionadas à memória, paranoias, obsessão, dificuldades em se relacionar com outras pessoas e desencadear a depressão”, finalizou.



