Por Clovis Vieira
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A Academia de Letras de São João da Boa Vista abriu as comemorações do Bicentenário de São João da Boa Vista (1824-2024) com o primeiro Ciclo de Palestras sobre a história e a cultura sanjoanenses. Foram quatro noites, de 18 a 21 de julho, a partir das 19h30, com a sede da Arcádia aberta do público.
Na abertura, no dia 18, o palestrante e acadêmico Jaime Splettstoser, historiador e genealogista, falou sobre as ‘Famílias Pioneiras’, demonstrando que “o território de São João foi ocupado bem antes da data oficial”, afirmou Splettstoser, analisando documentos inéditos e reinterpretando as antigas fontes. Nesta primeira noite, além dos acadêmicos e familiares curiosos pelos dados genealógicos, estava presente uma seleta caravana de Santo Antônio do Jardim, que retornou no último dia do Ciclo de Palestras.

No dia 19, foi a vez do presidente da Alsjbv, o arquiteto e professor Antonio Carlos Lorette, que tratou sobre a ‘Arquitetura e Cidade’. Através das mais antigas plantas cadastrais de São João da Boa Vista, elaboradas no início do século XX. Lorette retrocedeu ao fim do século XVIII, traçando a antiga estrada de tropeiros na atual avenida Dona Gertrudes, descendo até o antigo Bairro Cubatão e relacionando esta ocupação com os primórdios do Bairro do Rosário, com o cemitério dos cativos, reduto original dos negros em São João, desde 1830. Através de imagens projetadas em tela, demonstrou a evolução urbana com as edificações históricas.

No dia 20, a advogada Dy Lourdes Oliveira apresentou os ‘200 anos da Cultura Negra em São João’, resgatando através de entrevistas os movimentos, manifestações e culturas dos afrodescendentes sanjoanenses. Ao mesmo tempo em lançava os dados, procurou as inspirações e ocorrências em outras localidades brasileiras, de norte a sul. Dy Lourdes deu ênfase às danças, músicas e comidas, culturas ligadas fundamentalmente à religiosidade. Falou, também, sobre a origem do Carnaval em São João, as primeiras escolas de sambas e os grupos de músicos contemporâneos. Ao final, houve demonstração da utilização de instrumentos musicais pelo mestre de capoeira Marcão.


LIVRO
Encerrando o Ciclo de Palestras, no dia 21, a multiartista Sílvia Ferrante falou sobre ‘São João da Boa Música: 200 anos de Canções’. Percorreu a história através de pesquisa em arquivos e entrevistas com parentes e amigos. Sílvia foi do século XIX até fim do século XX, mostrando as músicas, os estilos, as bandas, os corais, os festivais de música, focando sempre nos compositores e intérpretes filhos da cidade.
Na segunda parte desta noite, a acadêmica apresentou ao público algumas músicas sanjoanenses produzidas nos anos 1970, tendo Renata Melo como vocal, acompanhada por Júlio Lima no violão e Maurício Silva no baixolão. ‘Passatempo’, de Júlio Lima e Silvia Ferrante; ‘Como se eu fizesse parte disso aqui’, de José Fernando Entratice; ‘Essa vida’, de Tonhão Gifonni; ‘Flor de Laranjeira’, de José Márcio Carioca e Wagner Mateus Pereira; e ‘Retorno’, de Zezinho Só, foram algumas delas.
“A Academia de Letras vai continuar os Ciclos de Palestras, já organizando a agenda com outros acadêmicos e convidados, e com novas temáticas”, antecipou Lorette, presidente da Arcádia. No final, de acordo com ele, a casa pretende editar um livro a partir do material apresentado.





