Apesar da inflação, expectativa de vendas nas peixarias é otimista

Por Daniela Prado
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Nem só de ovos de chocolate vive o comércio em torno da Páscoa – bacalhau e outras espécies de peixes também são bastante procurados para o almoço, principalmente o de domingo.

Nas peixarias de São João, a expectativa está otimista, ainda que o movimento maior seja previsto para a última semana que antecede a Páscoa.

“A gente está com uma expectativa de que o consumidor deixe tudo para a última hora, para a última semana – quarta, quinta e sexta-feira. Porque tem gente que deixa até para pegar na sexta-feira cedo”, comentou Frederico Ferrante, proprietário da Empório do Pescado.

Ele estima um aumento de 30 a 40% nas vendas, se a procura pelos peixes for relativamente igual a do ano passado. “Mas, por enquanto, está bem devagar a procura. Em relação aos preços, subiram bastante. A merluza teve um reajuste de quase 40%. Tanto a merluza quanto o cação, a tilápia subiu também de 10 a 15%. O bacalhau teve uma alta significativa, cerca de 35%”, observou.

Salgado: preço do quilo do bacalhau tem assustado consumidores que consomem o pescado (Ignácio Garcia/O MUNICIPIO)

Na Peixaria JS, o movimento em torno da compra do bacalhau e algum outro peixe para o período pascal começou a ficar mais frequente desde a Quarta-feira de Cinzas e a proprietária Silvana Aparecida Teodoro Lourenço destaca que, especificamente para a Páscoa, a busca se acentuou há duas semanas. “Em relação ao ano passado, a procura está maior”, percebeu ela.

E completou que, embora não saiba dizer ao certo a porcentagem de pessoas que passam pela peixaria nesta época do ano, acredita que seja uma média de 30% maior que nos outros meses.

Sobre o valor do bacalhau, Silvana aponta que teve 30% de alta até o momento. “Para a semana que antecede a Páscoa, a estimativa de quantas pessoas devem passar pela Peixaria é grande e, apesar do aumento dos peixes, está tendo uma boa procura”, disse.

Opções de peixes para o almoço da Páscoa, ela destaca que a tilápia, sem sombra de dúvidas, éa mais vendida, mas para substituir o bacalhau, até mesmo pela alta no preço, sugeriria a merluza e o cação.

PALAVRA DE QUEM CONSOME

A advogada Rosa Barbeitos é uma das que não abre mão do bacalhau e costuma comprá-lo com antecedência, para garantir um preparo como manda a tradição portuguesa.

“O bacalhau é um peixe que eu não deixo de ter na minha mesa, na Páscoa, porque sou de origem portuguesa – meu pai era português, meus avós, toda a família deles. E nós criamos essa tradição de comer bacalhau na Páscoa. Minha mãe fazia muito bem e, eu graças a Deus, também cozinho muito bem, tenho ótimas receitas”, comentou.

Quanto ao preparo, Rosa ressalta que o bacalhau tem que ficar de molho. “Eu gosto de deixá-lo 24h de molho, então eu costumo comprar com alguns dias de antecedência, não muitos”, revelou.

A advogada observa que, como todos os alimentos e produtos, o bacalhau aumentou muito o preço. “Na verdade, a gente gosta do bacalhau bom. E esse bacalhau é mais caro mesmo do que os outros. Mas aumentou numa proporção, acredito que até menos do que a carne”, pontuou.

Apesar de possuir várias receitas, Rosa confessa gostar mesmo é de fazer a tradicional bacalhoada. “É aquela que vai o bacalhau, batata, azeitona preta, azeitona verde, um belo de um azeite – azeite tem que ser do bom -, um bacalhau alto, grosso e eu gosto de fazer com um pouco de molho de tomate. Fica muito gostoso o meu bacalhau e nós sempre optamos pela tradicional bacalhoada, apesar de ter outras receitas também”, afirmou.

Bacalhau C’adoro, cuja receita ela conseguiu quando se hospedou no Hotel de mesmo nome, em São Paulo, há muitos anos, também faz parte dos pratos que Rosa gosta de preparar.

“O bacalhau C’adoro leva molho branco, creme de leite e também é muito gostoso. Às vezes eu faço para as mulheres, porque elas gostam mais desse bacalhau adocicado”, finalizou.

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