Os números de pobreza no Brasil reduzem ano a ano, não podemos dizer que somos um país miserável, uma vez que ficamos entre a 8ª e a 9ª maior economia do mundo, mas temos que encarar que temos sim 54,8 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza (15,2 milhões na extrema pobreza, segundo o IBGE), e isso é inadmissível, especialmente em um país com as riquezas naturais que temos, com o agronegócio mais competitivo do mundo, grandes empresas públicas e privadas, importantes universidades, sem envolvimento em guerras e sem extremos climáticos.
Mas por que não conseguimos sair do subdesenvolvimento?
Ao analisar países que sofreram grandes transformações nas últimas décadas, tentamos buscar um padrão de comportamento. A história nos mostrou que há um padrão. Quando analisamos as guerras entre uma grande potência estabelecida versus uma potência nascente (e portanto, ameaça à existente) – Alemanha, Inglaterra, China, podemos notar esse padrão.
Segundo um dos maiores investidores do mundo, o norte americano Ray Dalio, Há 6 principais medidas de poder: i) Educação, tecnologia e competitividade; ii) Força da economia; iii) Negociações; iv) Centro financeiro; v) Status das reservas. Estas variáveis caminham todas juntas, mas sempre iniciando pelo ponto i).
A Educação e investimento em pesquisa e desenvolvimento é o primeiro passo e como consequência e resultado, as demais variantes seguem a atenção de crescimento. Na China, um aluno que acaba de se formar no ensino médio tem o equivalente a 4 anos a mais de estudo do que um aluno brasileiro de mesma idade e formação.
Isso ocorre por diversos fatores: Os professores e diretores passam por avaliações mensais e ganham bônus por qualidade de ensino de seus alunos; as crianças folgam apenas nos domingos (estudam também nos sábados) e todos os dias em ensino integral; o ensino vai muito além das matérias básicas como português, matemática, e geografia, estudam intensamente tudo o que envolve tecnologia; todas as classes sociais têm acesso à educação de qualidade.
Esse investimento massivo em educação segue nas demais potências, como Estados Unidos, Coréia do Sul, Japão, Alemanha. O Brasil, como não é novidade para ninguém, nunca teve a educação como prioridade. Chegamos onde chegamos por sorte dos recursos que temos e pelo trabalho intensivo de muitos, mas nunca construímos um plano de base sólida (educação) e sustentável, para nos tirar do patamar de subdesenvolvimento.

Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social

