O Brasileirão dos sonhos

Encerrado mais um Campeonato Brasileiro, o Palmeiras conquista, merecidamente, seu 10º título com uma invencibilidade que ultrapassa os 20 jogos. Sem um elenco recheado de craques e um futebol de encher os olhos como o das décadas de 1960 e 70 sob a batuta do maestro Ademir da Guia, o Verdão apresentou características imprescindíveis: comando – através de Luis Felipe Scolari -, união, amizade, organização e um fator preponderante, patrocínio forte.

E fica no ar: poderia o Brasileirão ter um nível superior ao que presenciamos de uns tempos para cá? Claro que sim, se os clubes e a CBF se organizassem a nível do futebol europeu.    Afinal, temos aqui o privilégio de uma Série A com pelo menos 13 equipes – entre as 20 participantes -, candidatas em potencial ao título a cada disputa: no nosso estado, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos; no Rio, Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo; no Rio Grande do Sul, Grêmio e Inter; em Minas Gerais, Cruzeiro e Galo; no Paraná, o Atlético. A elas poderiam se juntar outras que já levantaram o caneco, casos do Guarani, Sport Recife e o EC Bahia, também parte dos 62 títulos levantados desde 1959.

Em nenhum outro país mais evoluídos futebolisticamente que o Brasil existem tantos concorrentes de um mesmo nível para levantar o troféu em seus campeonatos nacionais. Na Espanha, por exemplo, a competição se resume a Barcelona e Real Madrid; na Alemanha, a Bayern e Borussia Dortmund; na Itália, a Inter e Milan; na França, a Mônaco, Lyon e PSG; em Portugal, a Benfica e Porto. No competitivo futebol inglês está o maior número de postulantes: Chelsea, Liverpool, Arsenal, Manchester United e Manchester City.

Imaginem um Brasileirão em que as 13 equipes de chegada citadas disponham de organização, com dirigentes sérios e patrocinadores aos moldes do Palmeiras, respaldo de uma CBF moralizada, que disponibilize árbitros profissionais, segurança nos estádios e forme treinadores com mentalidade diferenciada – que contenham o comportamento inadequado de seus comandados em campo e faça-os jogar de maneira ofensiva. Jovens revelações permaneceriam no país, sem abastecer o futebol europeu, haveria um aumento considerável da média de público e a arrecadação maior.

Seria o retorno triunfal do Campeonato Brasileiro dos sonhos e poderíamos novamente dizer com orgulho: somos os únicos penta mundiais e temos o melhor futebol do mundo!

Leivinha Oliveira

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