Fora da realidade

O campeonato mais raiz do mundo, sofrerá uma mudança da água para o vinho no ano que vem. A partir de 2019 o conselho da Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol, decidiu que a final da Copa Libertadores, será realizada em jogo único e em campo neutro, a tendência é que esse modelo seja mantido até 2022, com a decisão no mesmo país. A entidade do futebol sul-americano mostra sinais constantes de evolução no campeonato, desde a mudança no calendário, o aumento das premiações, implantação do VAR e a mudança nos direitos televisivos. Porém mais uma vez, ela tenta copiar o formato utilizado na UEFA Champions League, não levando em conta três fatores.

O primeiro fator é que a final ainda continuaria na quarta-feira, o que dificultaria a viagem dos torcedores para assistir à partida.

O segundo, a América do Sul é 75% maior que o continente Europeu, não tem ferrovias que ligam um país ao outro, as viagens de carro podem levar dias ou semanas e as passagens aéreas são caríssimas para o torcedor que tem uma renda menor.

Diferentemente na Europa, há transporte de boa qualidade e mais acessível a todas as classes. No entanto os cartolas da Conmebol, argumentam que a final única beneficiaria o turismo, geraria rendas e infraestrutura.

A corporação também alega que cada finalista receberia cerca de R$ 6,5 milhões, 25% a mais da bilheteria atual. A receita seria somada à premiação atual, que é de R$ 19,2 milhões ao campeão e R$ 9,6 milhões para o vice.

O terceiro e último, a final única seria apenas realizada nos países com mais tradição do continente, se quisesse uma final em um palco com qualidade impecável como Argentina, Uruguai, Brasil e Chile.

No entanto, não adianta mudança, se a estrutura dos campos e dos estádios é péssima, onde o gramado não tem o cuidado adequado e que há riscos de violência, como aconteceu em 2015 no jogo da volta entre Boca Juniors e River Plate, quando os jogadores do River foram atingidos por gás de pimenta atirado da arquibancada, o jogo ficou paralisado e a arbitragem resolveu suspender.

Final única, não cabe num continente enorme que possui difícil deslocamento e com inúmeros problemas econômicos. A competição sul-americana precisa manter sua própria identidade, seu DNA raiz, que seja copiado a segurança dos estádios e não o enredo europeu, até porque isso nunca será maior que ela.


Tamires Zinetti
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