Não há dúvida que, no sistema de governança pública brasileira, o poder executivo tem um peso desproporcional. Até por isso, as discussões são mais acirradas quando o tema gravita ao redor dos cargos majoritários. Apesar de compreensível, não podemos deixar essa circunstância nos fazer perder atenção à dimensão legislativa da eleição.
Se conseguirmos eleger senadores e deputados diferentes daqueles que estiveram à frente do congresso nas últimas décadas, criaremos uma trava institucional aos desmandos do executivo, o que é particularmente importante em um cenário presente, polarizado entre posições extremas do espectro político.
Por isso, é muito importante que escolhamos nossos candidatos a esses cargos, com o mesmo cuidado que estamos dedicando ao presidente e governadores.
Use critérios claros para aumentar a chance de termos um congresso decente – se bem que menos indecente do que o atual, já seria um progresso.
Um de meus irmãos – Yan Trafane – sentenciou, por exemplo que a condição sine qua non para um candidato merecer seu voto é o fato de nunca ter ocupado cargos públicos antes.
Trata-se, ao meu ver, de uma decisão bastante sensata. Se os políticos que aí estão são, em sua esmagadora maioria, vergonhosamente imorais e incapazes, trazer uma nova leva de representantes do povo vai aumentar significativamente a chance de nos apartarmos do passado sombrio em que vivemos. Por outro lado existem pessoas que temem eleger apenas representantes sem experiência na vida pública. Se esse for seu caso, redobre e redobre de novo os seus cuidados. Tenha certeza que a pessoa que você vai ajudar a conduzir às nossas casas legislativas seja honesta e competente – só um ou outro não vale.
O meu critério pessoal será: estou escolhendo candidatos, para caso aconteça uma catástrofe “hecatômbica” do retorno do pt (assim mesmo, minúsculo) ao poder, em contraponto haja resistência pesada a eles no congresso, suas políticas anacrônicas, seus desmandos vis e sua cleptocracia desenfreada. Gente que entenda que essa pseudo agremiação política, é na verdade uma quadrilha.
Yuri Trafane
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