MARCELO GREGÓRIO
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Poços de Caldas (MG) – O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), fez uma rápida passagem por Poços de Caldas na manhã de domingo (18). O MUNICIPIO acompanhou Alckmin no encontro “Sul de Minas: Nossa Terra, Nosso Futuro”. Em pouco mais de três horas, foram discutidos temas estratégicos sobre cafeicultura, terras raras e desenvolvimento regional.
Apoiadores do governo federal lotaram o teatro do Palace Casino, que reuniu lideranças regionais e municipais, empresários, representantes sindicais e autoridades, entre elas a senadora Marília Campos e a deputada federal Gleide Andrade, ambas do PT, eleitas por Minas Gerais.

SANJOANENSES
Ex-governador de São Paulo por quatro mandatos, Alckmin citou a presença dos sanjoanenses Sidney Beraldo e Nelson Nicolau, ex-prefeitos de São João da Boa Vista e ex-secretários estaduais, que foram prestigiá-lo.
A passagem pelo Sul de Minas ocorre poucos dias antes do segundo turno, no domingo (25). O estado tem peso na escolha presidencial por ser o segundo maior colégio eleitoral do país. Em campanha pela reeleição de Lula (PT), que teve menos votos que Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno no estado, Alckmin demonstrou confiança.
TERRAS RARAS
Mineradoras australianas pretendem explorar terras raras em Poços, com minas de 373 hectares perto de casas, escolas e hospitais. Parte expressiva da população se opõe ao projeto por riscos de contaminação do solo e da água, além da falta de estudos essenciais.
“O que pode ser uma grande oportunidade para a região, pode se tornar numa grande catástrofe. […] Os estudos dos impactos ambientais dessas empresas […] são cheios de lacunas. Estão nos fazendo de cobaia sem que haja comprovação da efetividade do método, com riscos de contaminação das águas por metais pesados e radioatividade. É impossível o licenciamento ambiental [ser] feito sem estudos hidrogeológicos”, pontuou Daniel Tygel, mestre em física pela Unicamp, presente ao evento.
Alckmin ouviu os argumentos. “Qual é a preocupação do presidente Lula? Primeiro, do ponto de vista ambiental, da sustentabilidade. Segundo, é agregar valor. Nós não queremos ser exportadores de minério. Queremos fazer aqui a separação, o refino, produzir baterias e agregar valor. A lei que foi aprovada estabelece fundos de investimento, [linhas] de crédito e [incentivos] tributários [para a] indústria”, explicou.
IMPACTOS NA REGIÃO
Vizinha de Poços de Caldas, Águas da Prata é contra a exploração por temer danos ambientais, sobretudo aos mananciais e reservas de água. Contudo, não enviou representantes a Poços. “Uma eventual contaminação nessa área pode comprometer os recursos hídricos e colocar em risco o abastecimento de toda a nossa região”, temeu o prefeito Carlos Henrique Fortes Dezena (PSD).
O QUE QUEREM EXPLORAR
Alckmin disse que o Brasil tem a segunda maior reserva mundial de minerais estratégicos, apenas atrás da China. O foco das mineradoras são os superímãs, usados em motores de carros elétricos e turbinas eólicas. Segundo ele, o governo federal já reuniu especialistas em geologia, indústria, pesquisa e universidades para discutir o tema. A garantia da soberania nacional, estabelecida na legislação, foi reforçada no evento. “É o que o mundo vai demandar: o superímã. Alguns minerais só nós temos, por causa do clima tropical. A China não tem clima tropical. Nós temos alguns minerais estratégicos, além das terras raras. Estamos otimistas”, encerrou.
Sobre a visita de Alckmin, na próxima edição, O MUNICIPIO abordará o tema cafeicultura.




