Protocolo permite recuperação de crianças com bronquiolite

ANA LAURA MORETTO
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 Não houve registro de mortes relacionadas à bronquiolite infantil na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros em 2026. Crianças de São João da Boa Vista, Aguaí e Águas da Prata que passaram pela pediatria do hospital tiveram seus casos resolvidos, incluindo pacientes transferidos para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Prevenção: o médico Marcelo com a equipe de profissionais (Divulgação/ Santa Casa)

O coordenador de pediatria na Santa Casa, médico Marcelo Bernardes Filho, explicou que um protocolo de atendimento com orientações aos plantonistas da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São João e dos prontos-socorros de Aguaí e Águas da Prata contribuiu para a recuperação das crianças.

“Esse ano não houve perda de nenhuma criança para a bronquiolite. Todas as crianças que internaram no nosso serviço tiveram resolução total”, afirmou Marcelo.

Nos casos mais graves, que exigiram cuidados intensivos, as crianças foram transferidas para UTIs e se recuperaram. A padronização ajudou os plantonistas a identificarem os sinais de gravidade desde o primeiro atendimento. Os profissionais passaram a classificar os quadros de insuficiência respiratória como leves, moderados ou graves, seguindo orientações sobre medicação, oxigenação e suporte hídrico.

 CONDIÇÕES CLÍNICAS
Segundo Marcelo, a estratégia permitiu que os pacientes chegassem à Santa Casa em melhores condições clínicas em comparação com o ano anterior. O protocolo também estabeleceu orientações para acompanhar bebês e lactentes que apresentassem piora.

“Quando era necessário vir para nós, a gente agiu de forma protetiva. Havendo qualquer tipo de piora clínica, desconforto respiratório, essas crianças vinham até o nosso leito de monitorização contínua”, relatou.

Nos casos sem melhora, a equipe iniciava precocemente o suporte respiratório avançado e providenciava a transferência para uma UTI, quando necessário.

“A bronquiolite não tem remédio. A gente tem que dar suporte para o bebê e lactente. Aqueles que não estão se alimentando, a gente tem que deixar no soro de manutenção. Os desidratados, a gente tem que hidratar. O remédio para a bronquiolite é o oxigênio”, explicou o pediatra.

PREVENÇÃO
A vacinação de gestantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite, e o uso do Nirsevimabe, comercializado como Beyfortus, que é anticorpo monoclonal que protege diretamente os bebês contra o vírus, são medidas importantes para prevenir casos graves da doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação de gestantes que passou a ser oferecida pelo SUS desde dezembro de 2025 reduziu em 52,5% os casos graves em bebês menores de seis meses. A estimativa é de que cerca de 6.800 casos graves tenham sido evitados.

O SUS também oferece o Nirsevimabe para prematuros e crianças de até 23 meses com determinadas condições de saúde, como cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas. O anticorpo proporciona proteção por cerca de seis meses, período que pode abranger a época de maior circulação do vírus.

 A DOENÇA
A bronquiolite é uma infecção que causa inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões. Afeta principalmente crianças menores de dois anos, sobretudo nos primeiros seis meses de vida, e é uma das principais causas de internação nessa faixa etária. Na maioria dos casos, é causada pelo VSR, mas rinovírus, influenza e adenovírus também podem provocar a doença, segundo o Ministério da Saúde.

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