Dia de Todos os Santos: um convite à santidade

Por Ana Paula Fortes
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No dia 1º de novembro, a Igreja Católica celebra o Dia de Todos os Santos, uma solenidade que homenageia não apenas os santos canonizados, mas também os chamados ‘santos anônimos’ — pessoas que viveram a fé e a santidade no cotidiano, muitas vezes longe dos holofotes. No Brasil, a celebração costuma ser transferida para o domingo seguinte. Neste ano, no entanto, como o Dia de Finados cai justamente no domingo (2), a solenidade será antecipada para o sábado (1º).

Em São João da Boa Vista, as missas do Dia de Todos os Santos acontecerão nos horários normais em todas as paróquias. Na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, a celebração será às 19h, seguida do Caminho Catecumenal às 20h20. Já no domingo (2), Dia de Finados, as missas no Cemitério Municipal ocorrerão às 6h30, 8h, 10h e 15h, esta última presidida pelas paróquias do Rosário e de São Sebastião.

Basílica de São Pedro, no Vaticano (Cara Harris/Pixabay)

O SENTIDO DA CELEBRAÇÃO

O pároco da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, padre Marcelo Max Grespan, explica que a origem da celebração remonta ao século IX, e que o objetivo do Dia de Todos os Santos é lembrar que Deus é Santo e chama cada pessoa à santidade. “Quando Deus escolhe um povo, Ele o escolhe para ser santo. A palavra ‘santo’, que vem do grego hagios, significa separado ou sagrado, ou seja, são pessoas que, embora vivam na terra, foram separadas para viver um sacerdócio comum e refletir a santidade de Deus”, explicou.

Segundo ele, ao longo da história, a compreensão de santidade evoluiu. No Antigo Testamento, Deus era visto como um ser tão transcendente que o homem não poderia experimentar Sua santidade. “Com o tempo, Deus foi se aproximando do povo, e os profetas começaram a entender que a santidade não se manifesta apenas em ritos externos, mas em atitudes concretas. O que Deus quer é misericórdia, e não sacrifícios”, afirmou.

Padre Marcelo ressalta que a santidade cristã não é fruto de esforço humano, mas um dom do amor divino. “A santidade é participação na vida de Deus. É Ele quem comunica essa graça ao homem. E o ponto máximo dessa comunicação se dá em Jesus Cristo, o Santo de Deus, que veio ao mundo para transmitir essa santidade e continua a fazê-lo por meio da Igreja e dos sacramentos”, disse.

SANTOS CANONIZADOS E SANTOS ANÔNIMOS

Ao falar sobre quem são os santos, o padre lembra que a Igreja reconhece oficialmente alguns, por meio da canonização, quando há comprovação de virtudes heroicas e milagres atribuídos à intercessão da pessoa. “Quando a Igreja fala de Todos os Santos, pensamos logo nos canonizados, pois Deus confirma sua fidelidade com milagres. Mas há uma multidão muito maior de santos anônimos que são pessoas que viveram a fé, o amor e a santidade no dia a dia, e que, mesmo sem reconhecimento oficial, já estão diante de Deus”, destacou.

DIFERENÇA ENTRE TODOS OS SANTOS E FINADOS

Embora as duas celebrações sejam próximas no calendário, o padre explica que têm sentidos diferentes. “No Dia de Todos os Santos, celebramos aqueles que já estão plenamente na comunhão com Deus. Em Finados, lembramos e rezamos pelos fiéis defuntos, pedindo que também alcancem essa santidade. A Igreja chama esta celebração de Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos”.

Ele acrescenta que rezar pelos mortos é um ato de solidariedade espiritual. “Quando oramos por quem já partiu, vivemos a comunhão dos santos, uma ligação que une os que estão na terra, os que estão no céu e aqueles que ainda se purificam para a eternidade”, completou.

CONVITE À SANTIDADE

Para o padre Marcelo, o Dia de Todos os Santos é um convite para cada cristão viver a santidade no cotidiano. “Ser santo não é ser perfeito, mas buscar viver em comunhão com Deus e com o próximo. A santidade começa quando o amor a Deus passa pelo amor ao outro. É um chamado para todos nós”, concluiu.

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