Colesterol alto em crianças pode causar doenças graves no futuro

Por Ana Paula Fortes
[email protected]

O colesterol alto é um problema silencioso que pode começar na infância e trazer sérias consequências na vida adulta. Mais de um quarto das crianças e adolescentes brasileiros sofrem desse mal, segundo um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que analisou 47 estudos com mais de 62 mil participantes em todo o país.

De acordo com os dados, 27,47% dos jovens apresentaram colesterol total acima do recomendado e 19,29% têm níveis elevados de LDL, o chamado ‘colesterol ruim’. Situação semelhante foi observada em uma pesquisa norte-americana, que aponta que 32,8% das crianças entre 12 e 19 anos no Brasil têm colesterol total elevado.

Em São João da Boa Vista, o Departamento de Saúde informou que não possui dados sobre o número de crianças com colesterol alto no município.

Colesterol alto: alimentação inadequada e sedentarismo podem ser vilões (Yakobchuk Viacheslav/Shutterstock)

RISCO COMEÇA CEDO

A pediatra, alergista e imunologista Cláudia Camargo de Carvalho Vormittag alerta que o maior perigo é o caráter silencioso da doença. “Essas crianças têm maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares mais cedo, como aterosclerose, infarto ou AVC na vida adulta. O problema começa silenciosamente na infância e pode impactar toda a vida”, explicou a médica.

Segundo a especialista, o colesterol elevado pode se acumular nas artérias desde cedo, formando placas que dificultam a circulação do sangue. Com o passar do tempo, isso aumenta o risco de hipertensão, infarto e AVC. “Na maioria das vezes, a criança parece saudável, mas já pode estar acumulando gordura nas artérias. Só o exame de sangue detecta o problema”, reforçou.

DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que todas as crianças façam o primeiro exame de colesterol, chamado perfil lipídico, entre 9 e 11 anos de idade.

Nos casos de risco aumentado, como histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardiovasculares precoces, o rastreamento deve começar a partir dos dois anos.

“Mesmo crianças magras e ativas podem ter colesterol alto quando há predisposição genética. Por isso, o acompanhamento médico é essencial, principalmente para aquelas com histórico familiar”.

Em casos mais graves, a condição pode gerar xantomas que são pequenos nódulos ou placas amareladas na pele, geralmente em cotovelos, joelhos, mãos ou pálpebras.

Esses sinais costumam indicar hipercolesterolemia familiar, uma forma genética da doença que requer acompanhamento especializado e, às vezes, uso de medicamentos.

ESTILO DE VIDA E HÁBITOS FAMILIARES

Entre os principais fatores que contribuem para o aumento dos casos estão alimentação inadequada, sedentarismo e excesso de tempo em frente às telas. “O consumo elevado de ultraprocessados, refrigerantes e fastfood, aliado à pouca atividade física, tem grande influência”, afirmou a pediatra.

A médica ressalta que o tratamento inicial deve sempre priorizar mudanças no estilo de vida, como uma dieta equilibrada e mais movimento no dia a dia.

“Os pais podem colaborar incluindo frutas, vegetais e fibras na alimentação, reduzindo alimentos industrializados e incentivando brincadeiras e esportes”.

Para a especialista, as escolas têm papel fundamental na prevenção do colesterol alto desde cedo. “Programas de educação nutricional, incentivo à prática esportiva e oferta de alimentação equilibrada podem reduzir significativamente os índices da doença infantil”, completou Cláudia.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here