A nova campanha publicitária do Banco do Brasil que convidava o público a abrir uma conta por seu aplicativo – via celular – foi tirada do ar a pedido do Presidente Jair Bolsonaro (PSL).
O capitão, após assistir o comercial na TV, entrou em contato com o Presidente do banco. Reclamou do filme, aparentemente devido aos termos utilizados, populares entre jovens e na internet e a presença de mulheres e homens negros, homossexuais, transexuais, com aparência “descolada”, tirando selfies e fazendo “caras e bocas”.
O descontentamento de Bolsonaro com a campanha causou ainda a exoneração do Diretor de Comunicação do Banco do Brasil, Delano Valentim, responsável pela aprovação das peças publicitárias.
De acordo com informações da rádio CBN, o Palácio do Planalto também pediu mudanças em outra publicidade do Banco, ainda em produção.
A atitude dá o tom do que o Governo definiu como suas prioridades: os “costumes”. Para Bolsonaro e seus Ministros (além dos seus três filhos) aa medidas urgentes para a geração de empregos, o aumento do preço dos combustíveis, a alta da inflação, a baderna na segurança pública, a saúde e a educação precárias estão em segundo plano. Para eles, é papel do Estado inferir nos hábitos, na sexualidade, nas roupas, nas preferências, no comportamento dos brasileiros.
A ordem de retirada do filme do Banco do Brasil não é apenas uma interferência bizarra nos assuntos da empresa. É a demonstração mais clara da dificuldade de Bolsonaro em lidar com a pluralidade, com as diferenças, com as minorias. A intervenção na publicidade do BB é preconceito em sua mais pura acepção.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O Município semanalmente, aos sábados.
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