Chablis: uma proposta para quem leva o vinho a sério

Aos poucos, as conversas entre as pessoas que relacionam o vinho à estação do ano, tem mudado. Antes ouvíamos a frase: “esse tempo está bom para tomar um vinho”, só no inverno. Hoje, com o verão chegando, muitas pessoas pensam em tomar um bom vinho na beira da piscina para driblar as altas temperaturas, e com isso, a célebre frase do “tempo bom” tem feito sentido em outras estações do ano.

O que buscamos nas baixas temperaturas é nos aquecer e nas altas nos refrescar. E sabemos que, não existe um vinho com a característica de “vinho refrescante”, o que existe é um conjunto de propriedades que causam essa sensação, como por exemplo: a temperatura adequada, a acidez, o corpo do vinho e o equilíbrio do álcool. Características que encontramos no Chablis.

Mas afinal, o que é o Chablis?

Vamos começar pela pronúncia desse vinho branco francês que, apesar da escrita ser Chablis com ‘S’, a pronúncia correta é: ‘Cha-Bli’.

Engana-se quem pensa que Chablis é apenas um vinho de prestígio, ele é uma denominação de origem controlada, de uma região única na França, não vista em nenhum outro lugar do planeta. A região fica no norte de Borgonha, a 180 km de Paris, e lá o clima continental é bem rigoroso.

O Chablis é produzido exclusivamente com a Chardonnay, uma uva muito conhecida mundialmente. E é justamente por ser produzido por uma uva que se adaptou em diversas regiões que se cria um entendimento de que esse vinho seja apenas “mais um Chardonnay”. Porém, o que o distingue de qualquer outro vinho branco, não é a casta (uva) é o que está embaixo de suas raízes.

Chablis é uma região com 150 milhões de anos de história, e lá atrás o que hoje é vinhedo, era um mar raso e quente, habitado por moluscos, ostras e elementos marinhos. Com o avanço das eras geológicas e o recuo das águas, foram se formando rochas calcarias repleta de fósseis desses seres sedimentados. Ainda hoje, são visíveis nos vinhedos da região, conchas de ostras, e é essa herança geológica que os produtores chamam de mineralidade.

Ao degustar o vinho, não temos apenas uma percepção metafórica, realmente percebemos a sensação da pedra molhada, da salinidade e do frescor, pois essa composição mineral é absorvida pela videira e aparece em taça.

A singularidade desse vinho, tem o colocado com mais frequência nas cartas de vinho dos restaurantes, nas prateleiras de boas adegas e na mesa de quem leva o vinho a sério.

A região é dividida hierarquicamente em quatro níveis de denominação: o Petit Chablis, são os vinhos provenientes das videiras periféricas, com a proposta para um consumo jovem; o Chablis, onde os vinhos ganham mais estrutura; o Chablis Premier Cru, onde apenas 40 parcelas produzem um vinho com potencial de guarda que superam dez anos; e o Chablis Grand Cru que está no topo da pirâmide com apenas sete parcelas que produzem até 5.400 litros por hectare, de um vinho onde longevidade transforma paciência em recompensa.

E a dádiva da paciência não para por aí. Se for provar um Chablis, siga nessa ordem e acompanhe a evolução dessa região única da Borgonha.

Um brinde e até a Próxima Taça.

Mariana Mendes De Luca
@marianamdeluca

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here