Por Marina Borges
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Nascido em São Paulo, mas sanjoanense de coração desde os primeiros anos de vida, Reinaldo Rodrigues, conhecido como Cotonete, completou um dos principais desafios de sua trajetória esportiva no último fim de semana. O atleta, que se mudou para São João quando tinha apenas um ano de idade, contou com o apoio do Departamento de Esportes da cidade para percorrer os 235 km da Ultra dos Anjos Internacional (UAI), realizada na Serra da Mantiqueira, com largada e chegada em Passa Quatro (MG).

Considerada uma das ultramaratonas mais difíceis do Brasil, a prova atravessa sete municípios e reúne trechos de elevada dificuldade técnica, além de variações de temperatura e altimetria. Reginaldo completou o percurso em 50 horas e, segundo ele, enfrentou temperaturas abaixo de 5ºC, neblina e o desafio de permanecer em movimento durante a noite para evitar o sono e não perder a orientação.
“A Ultramaratona dos Anjos é considerada a rainha das ultras. E essa é a minha quarta participação, porque ela acontece também no sentido contrário. É uma prova difícil demais. A segunda noite dá muito sono, o que te desequilibra. É a hora que você tem que estar em movimento e equilibrado”, relatou.
O percurso passa por cidades como Itamonte, Baependi, Caxambu e São Lourenço, todas de Minas Gerais, além da Serra do Papagaio, considerada por Reginaldo um dos trechos mais difíceis. Os quilômetros finais também exigiram esforço adicional do atleta.
“Os desafios foram o frio e, mentalmente, a longa distância. À noite, por exemplo, é muita neblina e a gente não achava marcação. Você tem que parar ou voltar. O maior desafio é a hora que chega a noite, para driblar o sono e se preparar para não se perder. Qualquer curva errada é fatal”, afirmou.
A preparação para a prova foi realizada principalmente nas estradas e trilhas da região. O atleta conta que chegou a sair de casa às 4h da manhã para realizar treinos de longa distância pelo Caminho da Fé, passando por trechos entre São João da Boa Vista, Andradas (MG) e Ouro Fino (MG). A rotina também incluía atividades no ginásio do CIC.
A participação na UAI contou com apoio do Departamento de Esportes, que auxiliou na logística da viagem. Para Reginaldo, a parceria permitiu que ele concentrasse os esforços apenas na preparação e na competição.
“O apoio da logística é a parte mais fundamental do atleta. Primeiro ele tem que treinar, depois tem que correr atrás do apoio. Ou ele faz uma coisa ou faz outra. Então eu treinei, treinei e treinei. Eu fiquei surpreso. Não imaginava que eles iam me tratar dessa forma, de me levar para competir lá em Passa Quatro e depois me trazer de volta. Vim descansado”, contou.
A relação de Reginaldo com as ultramaratonas começou há cerca de 20 anos. Desde 2006, ele passou a se dedicar às provas de longa distância e acumulou participações em competições realizadas em diferentes regiões do país. Para ele, a modalidade também proporcionou amizades que contribuíram para sua trajetória.
“Eu fui agregando mais sabedoria e mais experiência. Meus treinos exigem um volume de 120 km por semana. Tudo começou através disso, comecei a ver que era bonito e gostoso viajar. Outra coisa que me motivou muito foi a socialização que tive com as pessoas”, relembrou.
Representar São João também é uma das motivações do atleta. Morador da cidade desde 1969, Reginaldo afirma que faz questão de levar o nome do município nas competições e nos caminhos percorridos durante os treinamentos.
“Representar a cidade para mim é o que eu mais gosto de fazer. Eu quero muito levar o nome de São João da Boa Vista para onde eu for, porque já levo, de certa forma. Faço questão de falar que moro nessa cidade. É aqui que eu quero viver para sempre”, contou.
Depois do desafio de 235 km, o atleta pretende descansar antes de iniciar a preparação para uma nova competição em setembro, a Paraty Brazil by UTMB, onde irá percorrer 108 km.




