Pacientes que receberam polilaminina apresentam pequenas melhoras

Por Maurice Progin
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O homem de 31 anos e a jovem de 20 anos que foram submetidos a um tratamento com polilaminina na Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros, em São João da Boa Vista, apresentaram melhoras pontuais na sensibilidade das pernas. Os dois continuam internados no hospital.

Polilaminina: equipe da santa Casa de Misericórdia dona Carolina Malheiros aplica medicação em paciente (divulgação/santa Casa)

De acordo com a diretora técnica da Santa Casa, doutora Patrícia Lopes Moreira, o progresso registrado é bem sutil. “Eles ainda estão paraplégicos. A fisioterapia, que está avaliando diariamente, percebeu uma pequena melhora na contratura do músculo e na sensibilidade em alguns pontos, o que não existia antes. Mas eles ainda não têm movimento nas pernas. Os pacientes seguem com fisioterapia intensiva, cinco vezes ao dia”.

Patrícia enfatiza que não existe produto milagroso. “A gente não tem nenhuma garantia que esse remédio traga algum resultado. O que temos é um estudo que já registrou resultados positivos, mas isso não quer dizer que o problema deles está resolvido”, afirmou.

 

PACIENTES
O homem voltou para Espírito Santo do Pinhal, cidade onde reside, na noite de quinta-feira (30). Já a mulher, que veio da Bolívia, ainda não tem um futuro definido. “O rapaz vai seguir o tratamento em Pinhal, já que é um projeto de longo prazo. A moça, como não é brasileira, a gente não determinou qual vai ser o destino dela daqui para frente”, explicou.

A médica reforça que o medicamento segue em fase de testes e que a venda ainda não foi autorizada. “Teoricamente já não tinha o que ser feito nesses dois pacientes, além da cirurgia e da fisioterapia, que é o tratamento normal. Então eles tiveram a chance de ter acesso a essa medicação, que está em fase de estudo. Ainda não podemos prescrever a polilaminina, não está liberado a compra da Cristália [laboratório detentor e responsável pela produção da substância]”.

“Numa fase mais adiantada do estudo, pode ser que novos pacientes sejam selecionados, mas não temos como afirmar isso, pois a pesquisa não pertence a nós”, completou.

O MUNICIPIO tentou entrar em contato com os pacientes para recolher depoimentos e saber mais detalhes do tratamento, mas até o fechamento desta edição não obteve respostas.

 

MEDICAÇÃO
A polilaminina é uma substância experimental desenvolvida para tratar lesões agudas na medula espinhal. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ela atua como uma espécie de ‘cola biológica’, estimulando a reconexão de neurônios e favorecendo a regeneração de tecidos lesionados. É um composto recriado em laboratório a partir da laminina, uma proteína produzida no corpo humano.

A pesquisa é desenvolvida há mais de 20 anos pela professora doutora Tatiana Coelho Sampaio e sua equipe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre janeiro e julho deste ano, 105 pacientes participaram do estudo.

 

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