Por Marina Borge
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Moradores do entorno do Piscinão do Mantiqueira, em São João da Boa Vista, relatam aumento na presença de capivaras e carrapatos na região e cobram providências para reduzir os riscos à população e aos animais domésticos. Segundo os relatos, os carrapatos já são encontrados nas proximidades das residências e têm afetado a rotina de famílias que vivem no bairro, que passaram a evitar caminhadas e passeios com animais de estimação nas áreas próximas ao lago.
A moradora Vivian Figueiredo afirma que a presença das capivaras e dos carrapatos aumentou de forma significativa ao longo do último ano. Segundo ela, os animais circulam pelo entorno do Piscinão e chegam a áreas próximas às casas. “A gente está evitando andar ali no lago, porque é você pisar por perto e já pega carrapato. Até na porta da minha casa é complicado”, relatou.
A situação também preocupa os donos de animais domésticos. Vivian relata que uma de suas cachorras apresentou sintomas e precisou de atendimento veterinário, gerando cerca de R$ 800 em gastos em um fim de semana. O exame para doença do carrapato teve resultado negativo. Segundo ela, outros moradores também relatam encontrar carrapatos dentro de casa e nas proximidades do lago, além de casos de picadas em pessoas que frequentam a região.
A presença de carrapatos é uma questão de saúde pública porque algumas espécies podem transmitir agentes causadores de doenças aos seres humanos e aos animais. Entre as enfermidades de importância no Brasil está a febre maculosa, que pode ser transmitida pela picada de carrapatos infectados. A identificação do risco, porém, depende da espécie do parasita e da presença de agentes infecciosos, não sendo possível associar automaticamente todo carrapato encontrado à transmissão de doenças.
Vivian diz que já procurou a prefeitura diversas vezes por meio da Ouvidoria. Segundo ela, equipes municipais estiveram em sua residência e entregaram orientações sobre medidas preventivas. Porém, os moradores não identificam mudanças suficientes na situação.
Uma das principais reivindicações é a adoção de medidas para impedir que as capivaras deixem a área do Piscinão e circulem pelas proximidades das residências. Vivian aponta problemas nas cercas instaladas no local e afirma que os animais conseguem passar por alguns pontos.
A própria moradora destaca que a questão também envolve a ação da população. “O pessoal vai pescar e pula a cerca, dando mais brecha para estragar. Então fica complicado: a população degrada, as capivaras também acabam danificando e ninguém resolve”, afirmou.

PREFEITURA AFIRMA QUE SITUAÇÃO É MONITORADA
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de São João da Boa Vista, por meio do setor de Vigilância, informou que a situação é de conhecimento do município e vem sendo acompanhada, com processo aberto e encaminhamentos para outros setores. Segundo o órgão, a presença de carrapatos em áreas com fauna silvestre pode apresentar variações sazonais e, atualmente, a região estaria em período compatível com a predominância da fase de ninfas, estágio que pode aumentar a percepção sobre a presença dos parasitas.
Em relação às capivaras, a prefeitura destaca que os animais fazem parte da fauna silvestre e que medidas de manejo, captura ou contenção dependem das normas e autorizações dos órgãos ambientais competentes. O município também afirma que o controle químico sistemático não é indicado devido à baixa eficiência e aos riscos ambientais. Segundo a Vigilância, a aplicação de produtos com maior eficiência ocorre em ambientes controlados, como residências e animais domésticos, com supervisão de médico-veterinário. Por isso, o manejo ambiental é apontado como principal estratégia para reduzir o deslocamento das capivaras e a dispersão de carrapatos.
Como parte das medidas, o setor responsável pela manutenção e pelo cercamento da área foi comunicado, e houve avanço na obtenção de orçamento para a recuperação ou reconstrução da estrutura. O objetivo é reduzir o deslocamento das capivaras para regiões vizinhas. A prefeitura informa ainda que o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) realizou vistoria no local e utilizou a técnica de “arrasto” para avaliar a infestação.
Segundo a administração municipal, o CCZ também mapeou áreas de risco no município, sinalizadas com placas orientativas. A recomendação é evitar a permanência nesses locais, inclusive com animais de estimação. A Vigilância orienta ainda o uso de roupas que reduzam a exposição da pele e a inspeção do corpo e dos animais após a circulação em áreas de vegetação. Moradores que encontrarem carrapatos podem levá-los ao CCZ para possível análise da espécie e do estágio de vida.



