Por Clovis Vieira
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O Brasil registrou crescimento no consumo de livros em 2025, com a entrada de cerca de 3 milhões de novos compradores no mercado editorial. Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em parceria com a Nielsen BookData, o número de consumidores chegou a 18% da população adulta. Apesar do avanço no cenário nacional, livrarias de São João da Boa Vista ainda não perceberam mudanças significativas nas vendas.

De acordo com o levantamento, o aumento foi impulsionado principalmente por livros de colorir, obras de ficção e pela influência das redes sociais. O estudo também destaca maior participação de mulheres negras da classe C e crescimento expressivo entre os jovens. As faixas etárias de 18 a 34 anos registraram, juntas, avanço de 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
REFLEXO LOCAL AINDA NÃO APARECE
Em São João, entretanto, o aumento no número de leitores ainda não foi percebido no comércio. Lívia Tonso, proprietária de uma livraria na praça Roque Fiori, afirma que o movimento segue estável.
“Penso que nenhuma livraria de São João percebeu mudança significativa com relação a isso. Não é uma questão de competência, porque todas continuam trabalhando e mantendo as portas abertas, mas sim do porte da cidade”, disse.
A comerciante também observa que diversas iniciativas de incentivo à leitura acabam perdendo força ao longo do tempo. Ela recorda uma campanha promovida pela Câmara Brasileira do Livro em 1969, voltada à valorização do hábito de ler.
“Eram peças publicitárias veiculadas na televisão, mas a campanha não durou muito tempo e não refletiu de forma duradoura na realidade”, comentou Lívia, que atua há mais de 30 anos no setor editorial.
VENDAS CRESCEM, MAS LEITURA AINDA PREOCUPA
Gabriel Mattos, do blog PublishNews, observa que, em diferentes regiões do País, clubes de leitura estão em alta e algumas livrarias físicas registram maior movimento.
“De 2024 para 2025, por exemplo, o mercado editorial cresceu 8%, com mais de 2,8 bilhões de reais em vendas, além da entrada de três milhões de novos compradores”, afirmou.
Mesmo assim, ele ressalta que o aumento nas vendas não significa necessariamente maior hábito de leitura. Mattos cita dados do estudo Retratos da Leitura no Brasil, realizado pelo Instituto Pró-Livro (IPL), considerado o principal levantamento nacional sobre o comportamento do leitor.
Pela primeira vez, o número de não leitores superou o de leitores no Brasil. Segundo a pesquisa, 54% da população não leu sequer um trecho de livro nos três meses anteriores ao levantamento. Entre os que leem, a média anual é de apenas dois livros completos.
“Menos da metade do que muitos leitores compram, por exemplo, durante a Bienal do Livro”, observou.



