Quadrinista participa de evento em Manaus neste fim de semana

Por Pedro Souza
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O quadrinista sanjoanense Thales Gaspari participa, neste fim de semana, da Semana do Quadrinho Nacional de Manaus, realizada entre os dias 27, 28 e 29 de março. O evento integra o Circuito de Quadrinhos Amazônicos, iniciativa voltada à valorização e difusão da produção de HQs na região Norte, com entrada gratuita e participação de artistas de diversas partes do Brasil.

Segundo Gaspari, a experiência marca um momento especial em sua trajetória. “Estou achando incrível ter esta oportunidade. Nunca estive no Norte do Brasil, então para mim é tudo novidade. Nunca achei que os quadrinhos me levariam para uma cidade tão distante”, afirmou.

Quadrinhos: Thales Gaspari exibe obra autoral de terror, que será exibida em Manaus (Acervo Pessoal)

O evento ganhou destaque no cenário nacional em 2025 e, neste ano, amplia sua relevância ao se consolidar como o maior do segmento na região. A proposta acompanha um movimento de descentralização das atividades culturais, tradicionalmente concentradas no eixo Sudeste.

O artista também destaca a expectativa de troca com outros autores. “Estou com grandes expectativas sobre conhecer o que é produzido lá em termos de quadrinhos regionais e quais autores irei conhecer pessoalmente”, disse.

HISTÓRIA

Natural de São João da Boa Vista, onde nasceu em 1985, Thales Gaspari atua com quadrinhos desde 2007, quando passou a integrar a equipe de criação da Crás Estúdio. Ao longo dos anos, teve diversas obras lançadas e indicadas em eventos do setor em todo o país.

Em 2010, criou o site ‘Tiras Não!’, onde publica até hoje tiras com proposta autoral livre, sem restrições de estilo, temática ou linguagem. Em 2024, estreou como autor de livros infantis e, no ano seguinte, foi convidado a publicar seus quadrinhos em uma revista francesa. Além das publicações impressas, também mantém presença em plataformas digitais e desenvolve trabalhos em xilogravura desde 2017.

Com experiência em eventos de diferentes portes, o quadrinista ressalta os desafios da profissão no Brasil. “Participei de muitos eventos ao longo dos anos, desde os menores até os maiores do país. O Brasil tem uma baixa base de leitores em relação ao tamanho da população, o que torna o mercado de quadrinhos limitado e sujeito a problemas estruturais”, explicou.

DIFICULDADES

Entre as dificuldades, ele aponta questões como distribuição, seleção editorial e a própria dinâmica da carreira. “Muitas obras diferentes ou de autores pouco conhecidos são consideradas arriscadas para publicação impressa. Mas o mais difícil é que se trata de uma profissão solitária. Quem faz quadrinhos precisa cuidar de tudo, não só da criação, mas também do marketing, da produção, da distribuição e do contato com o público”, destacou.

Para Gaspari, essa realidade acaba afastando talentos do público. “Muitos bons escritores e desenhistas não conseguem chegar aos leitores justamente porque não conseguem dar conta da parte administrativa e logística, o que é uma pena”, concluiu.

Os trabalhos do artista sanjoanense podem ser conhecidos no Instagram, por meio do perfil @tirasnao.

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