Por Clovis Vieira
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Vivido como um tempo de silêncio, renúncia e aprofundamento espiritual, o período da Quaresma mobiliza fiéis a intensificarem práticas de oração, jejum e caridade como preparação para a Páscoa. Para a comerciante Vera Lúcia Bassega de Oliveira, 68, católica praticante, trata-se de um momento de revisão de vida e fortalecimento da fé.

“São 40 dias em que o fiel pode refletir sobre o sentido de sua vida, fazer jejum com propósito e se dedicar mais a Deus”, afirmou. Durante esse período, Vera participa do Rosário da Madrugada, orientado pelo Frei Gilson, iniciativa de oração transmitida ao vivo pelo YouTube, emissoras católicas e redes sociais, realizada de segunda-feira a sábado, das 4h às 6h, ao longo da Quaresma.
O Tempo da Quaresma, celebrado entre 18 de fevereiro e 2 de abril neste ano, integra o calendário litúrgico cristão e antecede a celebração da Páscoa. A data é observada por diferentes tradições, como a Igreja Católica, a Ortodoxa, a Comunhão Anglicana, igrejas luteranas e algumas denominações reformadas. O período é marcado pela intensificação da oração, do jejum e da caridade, considerados os três pilares da vivência quaresmal.
PROPÓSITO
Segundo o pároco da Paróquia São João Batista, padre Claudemir Canela, conhecido como padre Mil, o sentido mais profundo da Quaresma está nos exercícios espirituais e na prática concreta da caridade. Ele destaca o jejum às quartas e sextas-feiras e a importância de que as renúncias tenham finalidade espiritual.
“Deixar de comer chocolate, por exemplo, só faz sentido se houver um propósito. O valor economizado será destinado a quem precisa? O alimento que deixou de consumir ajudará alguém?”, questionou.
O pároco ressalta que o período é um chamado à conversão e à santidade de vida, com renúncia a vícios e fortalecimento da fé. A confissão sacramental também é incentivada como preparação para a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo.

OS TRÊS PILARES
As três práticas centrais da Quaresma são a oração, com maior frequência de leituras bíblicas e devoções como o Terço; o jejum ou abstinência, que inclui não apenas a restrição alimentar, como a abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, mas também a renúncia a confortos e hábitos; e a esmola, entendida como exercício da caridade e combate ao egoísmo.
Vera Lúcia observa que o sacrifício precisa gerar mudança concreta. Ela cita o exemplo de pessoas que se abstêm de bebidas alcoólicas durante a Quaresma, mas retomam o consumo excessivo ao final do período. Para ela, quando não há transformação interior, o gesto perde o sentido espiritual.
Sobre aqueles que optam por não seguir as práticas propostas pela Igreja, a comerciante avalia que a decisão depende da consciência individual. “Deus não punirá quem não segue as orientações da Igreja para viver esse tempo”, concluiu.


