CarnaBoaVista agrada foliões sanjoanenses

Por Ana Paula Fortes
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Com o fim da folia e o retorno às salas de aula, muitas famílias acendem o sinal de alerta para a saúde das crianças. O período pós-Carnaval costuma coincidir com aumento de casos de doenças respiratórias, principalmente entre os pequenos da educação infantil. Mas afinal, a imunidade cai nessa época do ano?

Segundo a pediatra, alergista e imunologista Cláudia Camargo de Carvalho Vormittag, o principal fator não é uma queda de imunidade, e sim o aumento da exposição aos vírus.

“Após o Carnaval, há mais aglomerações, viagens, festas e contato próximo entre as pessoas. Em seguida, vem o retorno às aulas, com muitas crianças em ambientes fechados e contato prolongado. O que aumenta é a probabilidade de encontro com vírus e a cadeia de transmissão”, explicou a médica.

Carnaval de rua: multidão ocupa a avenida Isette Corrêa Fontão durante o pico de público (Divulgação/ACE)

De acordo com a especialista, existe diferença importante na resposta imunológica entre crianças da educação infantil e do ensino fundamental.

“Na creche e na pré-escola, o sistema imunológico ainda está em amadurecimento. Além disso, há mais contato físico, higiene menos eficiente e menor repertório de anticorpos contra vírus comuns”, afirmou. Já no ensino fundamental, as crianças costumam ter hábitos de higiene mais consolidados e apresentam menor taxa de infecções ao longo do ano.

É comum, especialmente nos primeiros um ou dois anos de creche, a criança apresentar múltiplos episódios de infecções de vias aéreas superiores. “O que chama atenção não é só a quantidade, mas a gravidade, a duração dos quadros e a necessidade repetida de antibióticos ou internações”.

A quebra de rotina durante as férias e o Carnaval também pode influenciar indiretamente a saúde. “Não há uma queda automática da imunidade. Mas menos sono, alimentação inadequada, estresse e maior exposição podem aumentar a suscetibilidade e dificultar a recuperação. Não existe um alimento específico que fortaleça a imunidade. O que sustenta o sistema imunológico é uma dieta equilibrada, com proteínas adequadas, frutas, verduras, feijões, grãos e alimentos in natura ou minimamente processados”.

DOENÇAS COMUNS

Entre as doenças mais frequentes no retorno às aulas estão os resfriados (rinovírus e outros vírus respiratórios); faringites virais; Influenza, quando em circulação; Covid-19, conforme o cenário epidemiológico; gastroenterites virais, principalmente nos menores.

A médica orienta que sinais como dificuldade para respirar, febre alta ou prolongada, sonolência excessiva, recusa de líquidos e piora após melhora inicial exigem avaliação médica, especialmente em crianças menores de dois anos.

IR OU NÃO À ESCOLA

Crianças com coriza ou tosse leve podem frequentar a escola se estiverem bem-dispostas, sem febre e se alimentando normalmente. Já em casos de febre, mal-estar importante, vômitos ou diarreia, a recomendação é permanecer em casa.

Medidas simples continuam sendo as mais eficazes, como a lavagem frequente das mãos, etiqueta respiratória, ambientes ventilados e afastamento quando realmente doente.

VACINAÇÃO É ALIADA IMPORTANTE

O retorno às aulas é também oportunidade para conferir a carteira de vacinação. Entre as vacinas que merecem atenção estão Influenza (anual), tríplice viral (SCR), varicela, meningocócicas, reforços de DTP/dT e Covid-19, conforme a faixa etária e o calendário vigente. “A vacina da gripe deve ser priorizada sempre que estiver disponível, mesmo fora das campanhas públicas”, reforçou a médica.

REALIDADE NAS FAMÍLIAS

Mãe da pequena Beatriz, de dois anos, a bióloga Thaís Arrigucci Bernardes conta que a volta às aulas após o Carnaval foi tranquila, mas apesar disso, acredita que o Carnaval pode contribuir para o aumento de doenças, ainda que não tenha sentido os efeitos este ano. Entre os sintomas que mais a preocupam está a febre. Em casa, após períodos de maior aglomeração, ela reforça alguns cuidados. “Minha filha está tomando própolis de manhã, e estamos dando maior atenção à higiene das mãos, objetos compartilhados e etiqueta respiratória e sempre mantemos a caderneta de vacinação em dia”. Para ela, os pais estão mais atentos à saúde das crianças atualmente, embora haja também mais desinformação.

A principal orientação para os pais neste retorno às aulas pós-Carnaval, segundo a médica, é manter as vacinas em dia, garantir sono adequado, rotina organizada e reforçar higiene das mãos e ventilação dos ambientes.

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