Por Ignácio Garcia
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, na quarta-feira (18), em Brasília (DF), a Campanha da Fraternidade 2026, que terá como eixo a questão da moradia no País. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a mobilização convida comunidades e a sociedade a refletirem sobre o acesso à casa própria como direito fundamental e condição indispensável à dignidade humana.

A abertura ocorreu na sede da entidade, com celebração da Missa na Capela Nossa Senhora Aparecida, seguida de cerimônia no Auditório Dom Helder Câmara. O evento reuniu lideranças religiosas e contou com a apresentação do hino oficial da campanha pelo coro da Arquidiocese de Brasília. Também foi lida a mensagem do papa Leão XIV para a Quaresma, na qual o Pontífice recorda a tradição de mais de 60 anos da iniciativa e reafirma que “existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres”, ressaltando a necessidade de enfrentar as causas estruturais da pobreza.
Ao detalhar a proposta deste ano, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers, afirmou que a campanha propõe uma conversão que ultrapassa o âmbito pessoal e alcança as estruturas sociais. Ele alertou para a naturalização da precariedade habitacional no País. “Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco”, declarou.
Para o bispo, a moradia não pode ser entendida como privilégio, mas como base para o exercício de outros direitos fundamentais, como saúde, educação e trabalho. “A conversão que Deus pede é integral. Não é apenas interior, mas também relacional, estrutural e social”, afirmou. Dom Ricardo também enfatizou que o debate sobre habitação deve ser tratado como questão humanitária. “Este não é um tema partidário; é um tema humano, civilizatório”, disse.
Durante a cerimônia, foram apresentados exemplos de iniciativas apoiadas pela Igreja. Entre elas, o projeto “Moradias Acompanhadas”, desenvolvido em Salvador (BA), que oferece moradia e acompanhamento a pessoas que viveram em situação de rua. O irmão Henrique Peregrino relatou que a experiência demonstrou que não basta garantir abrigo físico, sendo necessário assegurar apoio na saúde, geração de renda e reconstrução de vínculos familiares.

Um dos beneficiados pelo projeto, Altair Leal de Aguiar, compartilhou seu testemunho. “Essa caminhada para mim foi boa. Tive bastante ajuda da comunidade. Me tiraram da rua, me deram carinho e amor”, relatou.
Ao apresentar as ações concretas da campanha, o secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul, destacou a importância de que práticas como o jejum e a oração estejam associadas a gestos efetivos de solidariedade. “O nosso jejum, se não se converter em bem do próximo, é apenas economia”, afirmou.
A Coleta Nacional da Solidariedade será realizada no Domingo de Ramos, 29 de março. Os recursos arrecadados serão destinados aos Fundos Diocesano e Nacional de Solidariedade, que financiam projetos sociais em diversas regiões do País.



