Por Bruno Manson
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A melhoria das ruas e avenidas comerciais é vista como um investimento importante para o fomento econômico. Ao criar espaços públicos mais agradáveis e seguros, os municípios podem atrair mais consumidores e estimular o comércio local. Isso também gera um impacto positivo na qualidade de vida dos moradores e visitantes, tornando a cidade um lugar mais atraente e vibrante para viver e trabalhar.
Em São João da Boa Vista, as ruas Saldanha Marinho e Ademar de Barros, ambas localizadas na região central, abrigam uma grande variedade de estabelecimentos comerciais e necessitam de uma atenção especial da administração municipal. Conforme apurado pelo jornal O MUNICIPIO, a prefeitura cogita realizar a revitalização destas vias, porém, este estudo ainda está em “fase embrionária”.

TENDÊNCIAS
Na avaliação da Associação Comercial e Empresarial (ACE São João), uma eventual revitalização das ruas Saldanha Marinho — que há algum tempo demanda uma atenção mais cuidadosa — e Ademar de Barros seria extremamente benéfica para o comércio da região central.
Segundo o gerente da entidade, Mateus Ferrari Ananias, esse debate dialoga diretamente com tendências observadas na NRF Retail’s Big Show 2026, maior feira de varejo do mundo, realizada em janeiro em Nova York, nos Estados Unidos. “Entre os principais temas discutidos no evento, destacou-se a experiência do cliente como força motriz do varejo físico, tanto no que diz ao interior da loja como à rua onde o estabelecimento está localizado”, relatou.
Nesse sentido, a Associação Comercial e Empresarial vê a necessidade de se pensar a rua comercial além da fachada dos estabelecimentos, de modo que ela precisa ser convidativa ao pedestre, que deixa de ser apenas um transeunte e passa a se tornar consumidor. “A lógica é enxergar essas vias como verdadeiros ‘shoppings a céu aberto’, espaços vivos, pensados para permanência, circulação e convivência”, reforçou o gerente.
DESAFIO
Em meio a este cenário, o grande desafio é transformar as ruas comerciais em um ambiente com atrativos culturais, gastronômicos e ações capazes de gerar fluxo contínuo de pessoas. Na avaliação de Ananias, um público estratégico nesse processo é a chamada Geração Z — jovens nascidos entre 1997 e 2010, nativos digitais que representam cerca de 20% da população brasileira. “Apesar da forte presença online, estudos apontam que 97% desse grupo ainda prefere realizar compras em lojas físicas”, afirmou. “O excesso de vida online gerou cansaço, fazendo com que lojas e ruas comerciais assumam o papel de um ‘terceiro lugar’, além da casa e do trabalho, voltado à socialização ao pertencimento e à construção de comunidade, especialmente no cenário pós-pandemia”, avaliou o gerente da ACE.
DEBATE APROFUNDADO
Mateus destaca que alguns pontos estruturais também merecem atenção e debate: um deles é a atualização da legislação referente aos ambulantes, com uma nova regulamentação e a criação de um zoneamento específico para estacionamento de trailers e food trucks, evitando a ocupação indevida e permanente do espaço público.
Outro aspecto relevante é a eliminação dos postes, com o enterramento da fiação elétrica na região central. “Trata-se de um processo de modernização urbana que substitui redes aéreas por cabos subterrâneos, aumentando a resistência a temporais, reduzindo quedas de energia e eliminando a poluição visual. Além disso, essa medida minimizaria o conflito direto entre a arborização urbana e os cabos elétricos, reduzindo a necessidade de podas drásticas e recorrentes, como ainda se observa em diversos pontos da cidade”, observou.
Ao que tudo indica, este tema ainda deverá ser amplamente debatido entre a prefeitura, a ACE e os comerciantes locais.




