Paralisia do sono atinge quase 8% da população e provoca medo

Por Ana Paula Fortes
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Despertar consciente e perceber-se incapaz de mover o corpo ou emitir qualquer som é uma experiência aterradora vivida por milhões de pessoas em todo o mundo. Conhecida como paralisia do sono, a condição atinge cerca de 7,6% da população mundial e, segundo estudos, aproximadamente 8% das pessoas terão ao menos um episódio ao longo da vida. Apesar do intenso medo relatado durante as crises, especialistas reforçam que se trata de um fenômeno transitório e, na maioria dos casos, sem riscos fisiológicos imediatos.

Susto: os episódios costumam durar de alguns segundos a até quatro minutos (Reprodução/Pexels)

A paralisia do sono ocorre, em geral, durante a fase REM do sono, período caracterizado por intensa atividade cerebral e relaxamento profundo da musculatura. Nessa fase, o cérebro bloqueia o tônus muscular para evitar que os sonhos sejam reproduzidos fisicamente. O problema surge quando há uma dissincronia na transição entre o sono REM e o estado de vigília, e a consciência desperta antes que o controle motor seja restabelecido, deixando o corpo temporariamente imóvel.

Os episódios costumam durar de alguns segundos a até quatro minutos e podem ser acompanhados por sensação de pressão no peito, dificuldade para respirar e alucinações visuais ou auditivas. Em cerca de 75% dos casos, os relatos incluem a impressão de presença de figuras sombrias no ambiente.

RELATOS

A cabeleireira Ana Claudia da Cunha Ferreira, 43, descreveu a primeira crise como uma das experiências mais marcantes de sua vida. “Eu senti como se alguém sentasse na cama e fizesse peso em cima de mim. Tentava chamar minha irmã, mas parecia que alguém tapava minha boca, não saía som”, relembrou. Ana Claudia relata ter visto uma figura masculina usando capa e chapéu. “Na época achei que fosse algo espiritual. Só depois, pesquisando, vi que tinha tudo a ver com paralisia do sono”. Ela contou que os episódios eram mais frequentes em períodos de estresse emocional.

Experiência semelhante foi vivida pelo engenheiro Guilherme Campos, 40, que teve crises desde a juventude. A mais intensa ocorreu durante a faculdade. “Eu ficava falando para mim mesmo: ‘acorda, acorda’, tentando levantar da cama e não conseguindo. Eu via uma figura encapuzada vindo na minha direção”, relatou. Segundo ele, os episódios diminuíram com o passar dos anos e nunca motivaram a procura por atendimento médico.

O QUE FAZER

Durante uma crise, a orientação é manter a calma, focar em pequenos movimentos, como mexer os dedos das mãos ou dos pés, e controlar a respiração. Embora assustadora, a paralisia do sono não compromete funções vitais, como respiração e batimentos cardíacos, que permanecem automáticos. O acompanhamento médico é recomendado quando os episódios se tornam recorrentes ou passam a interferir significativamente na qualidade de vida.

A paralisia do sono não é considerada uma doença e, por isso, não há um tratamento específico. A intervenção medicamentosa é indicada apenas em casos graves ou quando os episódios estão associados a outros distúrbios do sono.

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