Por Ana Paula Fortes
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A Campanha Janeiro Branco, dedicada à conscientização sobre a saúde mental, ganha ainda mais relevância em São João da Boa Vista diante do crescimento da demanda por atendimentos psicológicos e psiquiátricos na rede municipal. Dados do Departamento de Saúde mostram que, nos últimos anos, houve aumento significativo na procura por serviços especializados, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens adultos.
Para a psicóloga e psicanalista Letícia Marques de Souza, a campanha é um convite à reflexão individual e coletiva. “Ela busca tirar a saúde mental do lugar do tabu e da banalização. O sofrimento psíquico não escolhe classe social, religião ou idade. Ele atravessa a todos”, afirmou.

PRINCIPAIS DIAGNÓSTICOS
Segundo a prefeitura, as unidades destinadas ao atendimento em Saúde Mental registram maior busca por cuidados principalmente na faixa etária de 19 a 25 anos.
“Isolamento excessivo, falta de interesse por atividades comuns à idade ou, no extremo oposto, a necessidade constante de agradar a todos são sinais sutis que merecem cuidado e escuta atenta por parte das famílias e da escola”, explicou.
Entre os transtornos mais diagnosticados estão o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), depressão moderada, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositor Desafiador (TOD). Apenas no último ano, foram realizados 11.031 atendimentos psiquiátricos e 12.333 atendimentos psicológicos no município.
Embora não haja estatísticas separadas por tipo de transtorno, a rede municipal contabiliza mais de 5.000 pacientes cadastrados em serviços de Saúde Mental.
Atualmente, São João conta com mais de 82 profissionais de diferentes áreas dedicados à Saúde Mental, distribuídos entre Caps II, Caps AD, Caps Infantil e o Ambulatório Especializado em Saúde Mental (e-MAESM). Com o aumento da demanda, existe fila de espera para atendimentos psicológicos, com cerca de 200 pessoas aguardando e tempo médio de espera entre 20 e 30 dias. Já os atendimentos psiquiátricos conseguem absorver toda a demanda, sem formação de fila.
ATENDIMENTO
Letícia destaca que sinais de alerta nem sempre estão ligados a transtornos graves, mas à perda de qualidade de vida: irritabilidade constante, cansaço excessivo, culpa frequente, isolamento social e dificuldade em lidar com as demandas do dia a dia.
Os encaminhamentos para os serviços especializados podem ser feitos por qualquer unidade de saúde após acolhimento inicial, mas os Caps funcionam também com portas abertas, permitindo que o munícipe procure atendimento espontaneamente. Outros serviços, como Cras, Creas, Conselho Tutelar e escolas, também realizam encaminhamentos.
Dentro da Campanha Janeiro Branco, o município desenvolve ações de conscientização ao longo de todo o ano, com atividades preventivas nas unidades básicas de saúde. Em janeiro, as iniciativas se intensificam com palestras, rodas de conversa, assembleias e ações educativas junto a pacientes e familiares, realizadas principalmente pelas equipes dos Caps. “Cuidar da saúde mental é um processo, não uma solução rápida, mas é transformador”, reforçou.
Em casos de sofrimento psíquico ou crise emocional, a orientação do Departamento de Saúde é procurar qualquer unidade de saúde do município. Os Caps funcionam de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, e estão disponíveis pelos telefones: Caps II (3623-6073), Caps AD (3631-8570) e Caps Infantil (3631-5657).



