Por Clovis Vieira
[email protected]
O sanjoanense Pedro Docema, 21, quintoanista do curso de Medicina na USP, foi o vencedor da região Sudeste na primeira edição do ‘Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário’. A plataforma estimula jovens desde a escolha da carreira até a primeira experiência de liderança e já impactou mais de 120 mil estudantes em todo o país.
Criado para reconhecer jovens lideranças brasileiras e incentivar o protagonismo no meio universitário, o prêmio recebeu mais de 8.000 inscrições. Três finalistas foram selecionados em cada região do Brasil.

Pedro conta que viveu dias intensos na etapa final, quando participou de um curso de liderança e teve contato com histórias de grandes nomes brasileiros. “Nos tornamos embaixadores do ‘Na Prática’. Foi uma experiência transformadora”, afirmou.
Como vencedor do Sudeste, ele seguirá para a China junto dos outros cinco premiados para conhecer o ambiente empreendedor da região. Pedro também receberá uma bolsa para cursar um Master of Business Administration na Saint Paul Escola de Negócios, em São Paulo.
A TRAJETÓRIA
A caminhada de Pedro Henrique Docema Rodrigues até o prêmio começou com um gesto ousado. “Eu tinha acabado de voltar do Pará, em setembro de 2023, e pesquisei no Google sobre a Bandeira Científica. O nome do professor Paulo Saldiva apareceu”.
Naquele momento, estava no anfiteatro da faculdade e, ao perceber que Saldiva estava presente na aula, tomou a iniciativa de abordá-lo. “Perguntei se ele havia coordenado a Bandeira Científica. Quando ele confirmou, eu disse: eu quero voltar com ela”.
O professor orientou Pedro a retomar o projeto de forma gradual apenas com o curso de medicina e com ações em cidades do estado de São Paulo, viajando de ônibus para cada local. Ele também o encaminhou para outro professor que participou da refundação do projeto em 1998. A Bandeira Científica havia perdido força quando esse docente deixou o país para cursar pós graduação.
RETOMADA
No terceiro ano do ensino médio, Pedro pesquisava sobre a Faculdade de Medicina da USP e descobriu o projeto Bandeira Científica. “Entrei na faculdade e não vi bandeira nenhuma. No segundo ano da graduação, em julho de 2023, recebi um convite de um colega para ir a Goiás acompanhar uma ação social. Aquilo mudou tudo para mim. Percebi que era isso que eu queria para o meu futuro”.
Três meses depois, ele fez uma nova expedição, desta vez no Pará. Empolgado, decidiu que era hora de levar o projeto de volta para a USP. Criado em 1957, o Bandeira Científica inspirou até mesmo o Projeto Rondon de 1967. No auge nos anos 2000, mobilizava cerca de 300 participantes entre estudantes de medicina, dentistas e outros profissionais. A pandemia encerrou as atividades.

VALE DO RIBEIRA
Retomar o Bandeira Científica exigiu reconstruir todas as etapas. Pedro montou uma diretoria com amigos e começou a estruturar o projeto com apoio dos professores. Ele cuidou da comunicação, da captação de recursos e do contato com as cidades que poderiam receber as ações. Também organizou logística, viagens e diversas providências práticas.
Em janeiro de 2024, a nova diretoria estava formada e, em março, o projeto já se encontrava organizado. A equipe buscava atuar apenas em cidades paulistas. Pedro pesquisou e encontrou no Vale do Ribeira o maior bolsão de vulnerabilidade social do estado. Em março, ele e dois colegas visitaram os municípios selecionados e conversaram com prefeitos que apoiaram a iniciativa com hospedagem em escolas, alimentação preparada por merendeiras e transporte local.
LIGA DE SAÚDE
Durante o ensino médio, Pedro participou de mais de 60 olimpíadas de conhecimento, conquistando medalhas em mais da metade delas. Ao final do curso, ingressou na Faculdade de Medicina da USP. “Há muito tempo nenhum estudante de São João escolhia essa faculdade de São Paulo, então a gente fica meio sozinho”.
Disciplinado, ele acredita que o prêmio chegou como consequência natural de tudo o que construiu. “Eu não apenas reativei o projeto. Eu o ampliei. Criei o projeto Liga de Saúde Humanitária que faz parceria com ONGs que recebem nossos colegas. Hoje são mais de dez organizações que acolhem nossos alunos. Todos os meses enviamos estudantes para ações comunitárias. Nós pagamos as passagens e as ONGs cuidam do restante”, finalizou.




