Por Clovis Vieira
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São João conta com três vencedores do aclamado Prêmio Jabuti: David Arrigucci Jr, pelo melhor livro de ensaios de 1979 (‘Achados e Perdidos’); Orides Fontela, premiada com o Jabuti de Poesia, em 1983, pelo livro ‘Alba’; e Iola Oliveira Azevedo, vencedora na categoria Literatura Adulta (autor revelação), com a obra ‘A Reconquista’ em 1984. Para os apreciadores da literatura, esse fato destaca a cidade entre muitas outras no País. Importante registrar que, aos 16 anos, Orides Fontela estreia como poeta no O MUNICIPIO.
“É notável que uma cidade interiorana consiga ostentar três Jabutis em um exíguo espaço de tempo de cinco anos, entre 1979 e 1984. A premiação não me parece simples coincidência, mas fruto de uma efervescência cultural da São João dos anos 1950 e 1960, com boas escolas (o Instituto de Educação era uma referência) e intelectuais de porte”, apontou Beatriz Castilho, membro da Academia de Letras de São João da Boa Vista (Alsjbv).
ACADEMIA
De acordo com ela, o Jabuti é o mais importante prêmio brasileiro que um autor possa almejar. “É uma honra que a Academia de Letras de São João da Boa Vista possa ser guardiã do Jabuti ganho por Orides Fontela – na verdade, uma réplica encomendada pela instituição em 2021, pois o original se perdeu”, lamentou. Igualmente, ela prossegue, foi uma honra ter como acadêmica a escritora Iola, hoje membro correspondente, assim como ter oferecido ao professor Davi o título de membro honorário.
A Arcádia se orgulha de que um dos vencedores dos concursos literários que promove anualmente, tenha conquistado o Jabuti-2025, na categoria Juvenil: o escritor André Kondo, com o livro ‘O silêncio de Kazuki’. “Esses Jabutis tão próximos a nós servem como um grande incentivo a quem se dedica à arte de escrever”.
O PRÊMIO
A história do Prêmio Jabuti remonta ao fim dos anos 1950, um período atravessado por desafios significativos para o mercado editorial, incluindo recursos escassos e uma articulação limitada dentro do segmento. Apesar dessas adversidades, os dirigentes da Câmara Brasileira do Livro (CBL) demonstravam entusiasmo pela criação de um prêmio literário. As discussões para a criação do Prêmio Jabuti foram lideradas por Edgar Cavalheiro e Mário da Silva Brito, renomados intelectuais e estudiosos da literatura brasileira.
No final de 1959, no auditório da antiga sede da CBL, na avenida Ipiranga, foi realizada a cerimônia do 1º Prêmio Jabuti, quando foram laureados nomes como Jorge Amado, na categoria Romance, pela obra ‘Gabriela, Cravo e Canela’, e Isa Silveira Leal, na categoria Literatura Juvenil, pela obra ‘Glorinha’. A editora Saraiva foi agraciada com o prêmio de Editora do Ano. O nome Jabuti foi escolhido em alusão à emblemática tartaruga presente na obra de Monteiro Lobato, simbolizando a tenacidade e a capacidade de superação de obstáculos
O maior diferencial do Prêmio Jabuti, em comparação com outros prêmios, é sua abrangência: além de valorizar os escritores, ele destaca a qualidade do trabalho de todos os profissionais envolvidos na criação e produção de um livro. Atualmente, o valor do prêmio Jabuti é de R$ 5.000 para o autor vencedor de cada categoria individual, além de uma estatueta. Já o vencedor da categoria ‘Livro do Ano’ recebe R$ 70 mil e uma viagem à Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha).






