Casal quase perde R$ 41 mil após falência da Rota Turismo

Por Pedro Souza
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O que seria uma viagem dos sonhos se transformou em frustração e desconfiança para uma professora de Educação Infantil de São João da Boa Vista. Ela e o marido planejavam celebrar o primeiro ano de casamento com uma viagem pela Europa, organizada pela agência Rota Turismo. Meses antes da data marcada, receberam a notícia de que a empresa havia decretado falência e não teria condições de reembolsar os clientes.

A empresa vendia pacotes de viagens nacionais e internacionais, porém, não cumpriu os contratos firmados, deixando de prestar os serviços e de devolver o dinheiro aos clientes. Cerca de 300 pessoas foram prejudicadas após o encerramento das atividades e, até o momento, aproximadamente 170 boletins de ocorrência foram registrados juntos à Polícia Civil, que já conta com quatro inquéritos instaurados por suspeita de estelionato por meio eletrônico.

No Centro: local onde ficava a agência de viagens que fechou e não reembolsou clientes (Pedro Souza/O MUNICIPIO)

CHOQUE

Uma professora de Educação Infantil e seu marido haviam contratado um pacote de 22 dias de viagem pela Europa, com destinos em Holanda, França, Suíça, Itália e Grécia. Foram R$ 32 mil pagos pela viagem e R$ 9.800 pelos passeios, todos parcelados no cartão de crédito. “Eu já havia viajado com a Rota Turismo umas cinco vezes e sempre deu tudo certo. O diferencial delas era justamente a confiança e a atenção prestada. Até café juntas tomamos para decidir os passeios e tudo mais”, contou a cliente, que preferiu não ser identificada.

O casal sonhava em comemorar o primeiro ano de casamento no exterior. “Era um sonho nosso, comemorar um ano de casados fazendo essa ‘eurotrip’. Foi um choque, ficamos sem chão! Até hoje eu não acredito que ela foi capaz de tudo isso. Foi cruel e mexeu com sonhos e sentimentos das pessoas”, desabafou.

Segundo a vítima, em nenhum momento houve indícios de que algo estava errado. “As funcionárias respondiam normalmente às mensagens, confirmavam reservas, mandavam informações. Tudo parecia dentro do normal até o dia do anúncio da falência”, relatou.

A professora acredita que o golpe foi premeditado. “Acredito que foi de má-fé desde o início. Elas sabiam o que estavam fazendo”, afirmou.

Apesar da frustração e do abalo emocional, o casal conseguiu reaver o dinheiro por meio das administradoras dos cartões de crédito e já contratou uma nova viagem com outra agência. “Aprendemos do pior jeito que nem sempre o que parece confiança é de verdade”, concluiu.

PIRÂMIDE

Apurações feitas pelo jornal O MUNICIPIO junto a algumas pessoas lesadas pela agência sugerem que a Rota Turismo pode ter atuado em um esquema de pirâmide financeira, utilizando o dinheiro de um cliente para custear as viagens de outros. Neste caso, os últimos a pagar acabaram sendo os mais prejudicados.

Na Junta Comercial, a empresa está registrada sob o nome OPR Turismo e Viagens Ltda, desde julho de 2020. Atualmente desaparecida, a agente de viagens Michele Cunha de Carvalho aparece como única sócia e administradora da empresa. Apesar disso, diversos clientes afirmam que a agente de viagens Karen Gomes Ribeiro também atuava como sócia informal. Recentemente, ela e mais uma funcionária prestaram depoimento à Polícia Civil sobre o caso.

As investigações prosseguem e a orientação policial para quem adquiriu algum pacote de viagem por meio de cartão de crédito é que providencie o bloqueio da compra para evitar um prejuízo maior. Já aqueles que pagaram pelo serviço terão que buscar na Justiça o ressarcimento dos valores.

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