Por Suzana Amyuni
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O campus São João da Boa Vista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) deu início, no último mês, à execução das bolsas de iniciação científica do Programa de Apoio à Ciência e Tecnologia (PACTec). Com recursos de emenda parlamentar do então deputado estadual Simão Pedro (PT), atual 1º suplente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), foram destinados R$ 168 mil ao campus, garantindo 24 bolsas de R$ 700 por mês a estudantes de graduação, pós-graduação e, principalmente, do Ensino Médio. O ciclo de projetos vai até maio de 2026.

Segundo o professor Emerson dos Reis, coordenador de Pesquisa e Inovação do IFSP São João, o diferencial está na participação de alunos mais jovens. “A iniciação científica aproxima o estudante do desenvolvimento tecnológico e instiga talentos que podem se tornar futuros cientistas. Quando o aluno do Ensino Médio vivencia essa experiência, muitas vezes passa a considerar mestrado e doutorado no futuro”, afirmou.
Entre os projetos em andamento está o de eficiência energética no próprio campus. Maria Eduarda Quiles Madrini, aluna do curso técnico em eletrônica integrado ao Ensino Médio, decidiu se candidatar à bolsa quando viu o tema sobre o uso racional da energia. “Achei muito interessante e uma grande oportunidade de aprendizado. E além da parte técnica, estamos aprendendo a importância de trabalhar em equipe, algo que não tem preço”, disse.
Colega de equipe e aluno do mesmo curso, Lucas Roberto Jacon Ferreira sempre quis participar de um projeto de pesquisa. “É uma experiência que fortalece o currículo e ajuda a decidir os próximos passos. Também é importante pelo incentivo financeiro, que nos ensina desde cedo a ter educação financeira”, afirmou.
Os estudantes estão levantando dados sobre geração, distribuição, climatização e bombeamento de energia no campus para, posteriormente, analisá-los e buscar soluções viáveis para otimizar o uso da energia. “O trabalho é desafiador, mas a cada etapa a gente aprende mais”, comentou Lucas. Maria Eduarda acrescentou que a bolsa também representa reconhecimento: “É um incentivo para que os jovens pesquisem e contribuam com melhorias para o próprio IFSP”.
Além de projetos em energia, há iniciativas em biologia, linguística, gestão e computação, refletindo a diversidade de cursos e professores do campus. Para o coordenador de Pesquisa e Inovação do IFSP, essa variedade fortalece o caráter multidisciplinar da formação. “Quando abrimos editais, os temas vêm das mais diferentes áreas. Isso amplia o horizonte dos estudantes e mostra que ciência não está restrita a um único campo de conhecimento,” relatou Reis.
São João da Boa Vista se consolida como polo educacional regional e o impacto de projetos como o PACTec revela-se nos resultados dos estudantes, como já é historicamente comprovado em âmbito nacional. “Por exemplo, programas como o PIBIC [Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica], criado no final da década de 1980 pelo CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], já mostraram resultados concretos na formação de pesquisadores. Muitos dos que participaram das primeiras edições do PIBIC se tornaram docentes universitários dez anos depois. Isso mostra que investir cedo em ciência dá retorno real para o País”, destacou Reis.
Além de despertar vocações, as bolsas cumprem também um papel social. Segundo Emerson dos Reis, o incentivo financeiro contribui para a permanência dos jovens na escola. “Vários alunos conseguem seguir estudando graças à bolsa, que ajuda nas despesas do dia a dia e cria condições para que se dediquem ao projeto. Quando oferecemos oportunidades, eles respondem com pesquisa, inovação e resultados que beneficiam toda a sociedade”, finalizou.




